tretas -> ardis, manhas; palavreados; lérias; palanfrórios; e coisas sem importância [algumas vezes com...]
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Parceiro de vida?...
Admito desde já que não estou bem certo que o tema deste post tenha algum interesse seja lá para quem for. Mas como hoje quero escrever alguma coisa no blogue, então aqui vai um texto sobre a primeira ideia que me veio ao pensamento. Ideia boa? Ideia assim, assim? Ideia péssima? Não sei, deixo ao vosso critério. Ok?
Há dias, por mero acaso, ouvi de raspão uma pequena frase de uma conversa entre dois amigos. Mas convem já precisar, isto para não levar depois a equívocos de dedução, que se tratava de uma amiga e de um amigo. Esclarecidos?... Muito bem! Então, dizia o amigo para a amiga:
- Sei que não sou teu parceiro de vida!
E foi esta expressão que me chamou a atenção, que me impressionou pelo sentido definitivo. De facto, creio que com o sei que não sou, pelo modo e com a entoação como foram proferidas as palavras, havia algo de decisivo, de irrevogável, de constatação final e que punha termo a quaisquer indefinições anteriores.
Já quanto ao "parceiro de vida", ainda estou por perceber o seu real alcance. A palavra parceiro significa companheiro, par, comparte, quinhoeiro, sócio ou ainda pessoa com quem se joga ou dança. Até aqui tudo bem, entendo! Mas ao acrescentar-lhe de vida, as coisas já não ficam tão claras no meu juízo acerca da frase em questão. É que a vida pode ser extensa ou curta, mas nunca mediana. Há até quem diga que a vida são apenas dois dias e que este já vai quase no fim. E depois da vida vivida há sempre a morte morrida, inevitável e definitiva. O que pretendeu dizer o tal amigo? Sócio na sociedade falida da vida? Companheiro de viagem por esse mundo fora e por toda a vida? Par de dança no próximo concurso de danças latinas organizado pela junta de freguesia?... Não sei! E agora não consigo desfazer esta dúvida porque os dois amigos lá foram à vida deles e não voltei a pôr-lhes a vista em cima.
Uma coisa é certa: há questões bonitas e importantes na vida. E, seja lá qual o for o entendimento que lhe der cada um de nós, creio que ser parceiro de vida deve ser uma delas.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Só!... ->[em três partes]
António Nobre [1867-1900], poeta português, cuja principal obra, Só (Paris, 1892), é marcada pela lamentação e nostalgia, imbuída de subjectivismo, mas simultaneamente suavizada pela presença de um fio de auto-ironia e com a rotura com a estrutura formal do género poético em que se insere, traduzida na utilização do discurso coloquial e na diversificação estrófica e rítmica dos poemas.
Ai quem me dera entrar nesse convento. Que há além da morte e que se chama a Paz!
— António Nobre, Soneto n°18, in Só.
Nota: Texto adaptado da entrada acerca de António Nobre, editada na Wikipédia.
Só!...
Sozinho, sem companhia, desacompanhado, solitário, ermo, desemparelhado, consigo mesmo, isolado, afastado, único, desamparado... Ufa! sei lá que mais!
Mas mais vale só do que mal acompanhado, lá diz o ditado popular.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Até quando haverá comida?
Estima-se que a produção mundial de alimentos seja suficiente para dar de comer a toda a gente. Mas, apesar disso, há fome em muitos lugares do mundo, com mais incidência em países de África e da Ásia. E, embora não sejam as únicas causas, tal acontece devido ao imenso desperdício de excedentes dos países ricos e à falta de ajuda desinteressada desses mesmos países aos países pobres.
Mas, num futuro próximo, o problema será ainda mais grave do que a distribuição desigual de alimentos. É que, nos últimos anos, vários estudos internacionais registam nas suas conclusões que, dentro de poucas décadas, haverá falta de comida a nível mundial. E aí todos os países, ricos ou pobres, sofrerão as consequêcias dessa situação.
A ideia deste post surgiu-me ao ler um artigo, na secção Mais//Ciência, da edição do jornal i do dia 19 deste mês, onde se refere que "um novo relatório internacional sobre o impacto das alterações climáticas prevê situações dramáticas de escassez de alimentos já em 2020".
O relatório em causa foi produzido por uma equipa de investigadores de uma ONG, com sede em Buenos Aires, que, após actualizarem "os últimos dados sobre clima, produção agrícola e aumento populacional", chegaram à conclusão que "as colheitas de trigo, arroz e milho vão ficar até 14% aquém da procura, dado que, além das quebras na produção, prevê-se que a população mundial atinja os 7,8 mil milhões de pessoas, mais 900 milhões". Mais à frente, salienta-se que o "relatório valida as previsões sobre o aumento de preços dos cereais, cerca de 20%, e também dos índices de fome a nível mundial para uma em cada cinco pessoas". Sugere-se ainda que as "mudanças nas dietas alimentares são vistas por isso como uma opção", pelo que é aconselhável substituir o consumo de cereais por tubérculos como a batata e aumentar o consumo de vegetais e leguminosas, como fonte alternativa de proteínas. E em termos de alerta diz-se que "o preço da inércia pode ser devastadoramente alto, não só para as gerações futuras como para esta".
Aquele artigo veio ao encontro do que, através da televisão ou de leituras, tenho registado acerca deste tema nos últimos anos. Agora ando a ler o livro O Fim da Comida, escrito em 2008 por Paul Roberts [é o autor de O Fim do Petróleo, de 2005]. Na capa, muito sugestiva e em sintonia com o título ao mostrar um garfo e uma faca ao lado de um prato com uma única ervilha, pode ler-se que "os cientistas afirmam que vai faltar comida e que seremos todos vegetarianos em 2050".
Da sinopse daquele livro retiro este trecho: "Sobressai uma inquietante realidade: o aumento da produção alimentar em larga escala está a atingir o ponto de ruptura; está a criar novos riscos de surtos de doenças transportadas nos alimentos, como a gripe das aves; a qualidade nutricional é cada vez menor; a prática de uma agricultura com utilização intensiva de produtos químicos compromete os solos e a água de uma forma irreversível. Enquanto um bilião de pessoas no mundo tem peso a mais, outras tantas não tem o suficiente para comer".
Daí a minha preocupação: até quando haverá comida?
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Chamo a polícia?
Há dias fui almoçar a um restaurante aqui no Porto, perto de casa. Na mesa ao lado estava um casal mais ou menos da minha idade. A dada altura, juntou-se ao casal alguém mais jovem que reconheci de imediato. Era um dos elementos da banda Trabalhadores do Comércio [no momento não me recordei do nome dele, mas agora sei que se tratava do Sérgio Castro].
Isto não daria lugar a este post se não fosse o meu modo brincalhão de estar com a vida e com as pessoas. É que, depois do empregado me entregar a conta, lembrei-me de uma das canções daquela banda. E, então, virei-me para o músico e saiu-me mais ou menos isto:
- Desculpe estar a interrompê-los, mas é que tenho aqui a conta do almoço e não me apetece pagá-la. Que me aconselha?... Chamo a polícia?
E pela simpatia do Sérgio Castro em aceitar, com uma risada, aquela brincadeira, aqui fica o vídeo e a letra da canção a que me quis referir.
Ero dez p'rá uma no restaurante
Almoçaba alarbemente
A meio do café um garçom pedante
Chigou-se e pos-ma conta frente
Atom bubi o brande todo dum trago,
Berrei pró home num pago, num pago;
O gaijo braunco chamou o girente,
Saltei pa trás, saquei, saiu o pente...
Pra num andare cadeiras pru are,
Atom pus-ma gritare:
Chamem a policia, chamem a policia,
Chamem a policia queu num pago.
Fui ber Lisboa à noite
Parei no Russio
Numa noite sem frio.
Mandei bir uma cola
E um gradanapo
E o cara de sapo
Pediume logo o taco o malcriadom
Num me cuntibe passeilhe um sermom
Disse qu'era uso da cunfeitaria
Qu'era mais siguro no tempo que curria.
Chamem a policia, chamem a policia
Chamem a policia, chamem a policia
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domingo, 23 de janeiro de 2011
Já votei!
Já votei! Sim, hoje já votei. Mas não me sinto satisfeito com o que fiz.
Não votei em branco nem rasurei o boletim de voto. E isto quer dizer que optei por um dos candidatos. Ou seja, votei em quem, assim o creio, defende alguns dos valores com os quais oriento a minha vida.
Mas, confesso, votei sem convicção. Votei desiludido com a derrapagem económica e social do nosso país. Votei sem a "pica" de alegria e de esperança das primeiras eleições após o 25 de Abril. Votei triste porque sei que o meu voto não vai ter peso no futuro do país. E, por isso, não estou satisfeito com o que fiz.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Olá mãe!
Ontem foi o segundo dia mais triste da minha vida. Dezassete anos e dezassete dias depois do primeiro.
Mas os dias tristes também fazem parte da vida. E a vida continua!... É por isso que continuo a dizer:
- Olá mãe!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Aí vem o 2011!
Todos os analistas económicos dizem que, no próximo ano, teremos de apertar o cinto. Isto, como é evidente, para quem ainda o pode fazer, dado que há muita boa gente que já não tem mais furos no cinto.
Sem pessimismo, mas com o realismo da situação económica e financeira do país, que nos é apresentada todos os dias através dos artigos dos jornais ou das notícias da rádio e da televisão, aqui ficam os meus votos do melhor possível para cada um de nós no próximo ano.
E se não for o melhor possível, ao menos que haja saúde!
domingo, 26 de dezembro de 2010
Noite de consoada
Era uma vez... uma noite de consoada.
Mas este conto não vem dos tempos antigos, como é normal quando se começa com "era uma vez...". Não, a história desta noite de consoada é recente, aconteceu há dias.
Naquela noite, o Zacarias sentou-se à mesa para o jantar de consoada. Trata-se de um homem com quase sessenta anos e um rosto em que se notam as rugas deixadas pela marcha do tempo. Não se encontrava sózinho para consoar, tinha a companhia de um familiar. Na mesa, havia de tudo o que era habitual nesta quadra natalícia, como se fosse em casa dos pais quando era pequeno. Nas travessas, estavam os lombos de bacalhau, as pencas e as batatas, tudo cozido, e depois, no prato de cada um, regado com molho de azeite e alho. Ao contrário dos outros anos, em que se bebia um maduro branco, esta noite foi aberta uma garrafa de tinto da zona do Dão. Para a sobremesa, haviam rabanadas, sonhos, aletria, bolo-rei e outros doces.
Mas o Zacarias não estava contente naquela noite. Até se poderia dizer que estava com um ar triste, o que aliás não era diferente do seu estado de espírito das últimas consoadas. As razões para a sua tristeza eram bem dele e não as manifestava a ninguém. O certo é que ultimamente andava cada vez mais fechado em si mesmo e, devido a isso, já manifestava tiques de velho taciturno e resmungão. E isto era uma situação que ele não queria de modo algum, pois sempre pensou que não gostaria de tornar-se um velhote rezingão.
Como poderia ele evitar aquele crescendo de atitudes negativas? O que poderia fazer? Como é que voltaria a ser o homem alegre e de bem com a vida com era antes? Estava farto de pensar no assunto. E quanto mais tempo dedicava a analisar o seu modus vivendi na última década, mais convicto ficava que teria de dar uma volta de 360 graus à sua vida, de virar do avesso muitas das atitudes e das vivências que teve nos últimos anos.
E quando é que o Zacarias irá tomar uma resolução naquele sentido? Nos próximos meses, pensa ele.
Na noite de consoada do próximo ano saberemos se o conseguiu.
...
- E pronto, Tiago, chegou ao fim a história da noite de consoada do Zacarias que...
- Ó Nando, eu sei que o Zacarias não existe, é tudo da tua imaginação.
- Pois... às tantas tens razão!
sábado, 4 de dezembro de 2010
E já lá vão 4 anos!
E já lá vão 4 anos! Foi neste mesmo dia, do ano de 2006, que este sítio foi lançado à blogosfera.
Mas 2010 foi para este blogue mais um ano de crise, que já se vinha a notar durante o ano anterior. E se não fossem tomadas medidas drásticas no que respeita a textos publicados, o ano em curso seria um dos piores desde que o blogue foi criado.
Houve pressões externas para recorrer aos apoios do FMI [Fundo Manuscrito Internacional] e do BCE [Banco Central de Escrita], a fim de se cobrir o déficit em que o blogue estava cada vez mais mergulhado desde o primeiro quadrimestre.
Todavia, consegui aguentar o "tretas e... outras" sem recurso a apoios externos. O mês de Novembro passado foi o ponto de partida para a recuperação. A ver vamos se vai continuar neste sentido.
E a todos vós, visitantes, que trazeis a vossa simpatia até este espaço, o meu imenso: obrigado!
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