tretas -> ardis, manhas; palavreados; lérias; palanfrórios; e coisas sem importância [algumas vezes com...]
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
A fórmula roubada
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Edson Athayde e as crónicas
Sou um fã das crónicas do Edson Athayde desde há vários anos. Gosto do modo como escreve, de forma simples e escorreita.
Em Abril de 2007, publiquei um post a respeito do seu livro de crónicas com o título Os Trintões. Ultimamente, têm sido publicados textos dele nas edições de fim-de-semana do jornal i, onde é indicado como "publicitário, escritor e facebooker".
É de uma das crónicas deste mês que, aqui, vou apresentar alguns excertos. Com o título "O mundo às costas", o autor expõe os seus pontos de vista no que respeita às opções que se tomam ao mudar algo no curso da nossa vida.
Quase no início do texto, pode ler-se:
"Viajar pressupõe escolhas. Nem estou a falar dos destinos. Vai-se para onde se quer ou se pode. O resto é conversa. O que levar consigo e o que deixar para trás: essa é que é uma conta complicada de fechar." E mais adiante: "se você tivesse de enfiar numa valise apenas as coisas que realmente importam para si, o que é que entraria?".
O escritor entende que a pergunta é arrevesada por considerar que "não estamos falando apenas de objectos. Também contam pessoas, relações, sonhos. Agora troque a valise pela sua existência: na hora da viagem (que pode ser apenas o trânsito de um momento para outro da vida, uma mudança de trabalho, o fim de um curso, o término de um casamento) há coisas que você até adora mas, feitas as contas, optará em deixar para trás.".
E para exemplificar o seu raciocínio, no parágrafo seguinte diz:
"Falo isso por experiência. Há décadas deixei de tentar carregar o mundo às costas. Sempre tive poucas coisas materiais justamente para não ter de me apoquentar com elas. Amanhã ou depois quero trocar de cidade, de emprego, de interesses e fica mais fácil se eu não tiver amarras, nem bens para cuidar.
Confesso que o inverso (consequência directa desse tipo de vida) não é bonito. Regularmente sou abandonado por pessoas que não querem ou não podem acompanhar esse meu ritmo. E é sempre duro perceber que você não cabe na valise de alguém. Nada a fazer, há que se engolir o choro e seguir em frente."
E a crónica termina desta maneira, quase como começou:
"Uma coisa nova, uma coisa velha, uma coisa emprestada, uma coisa azul. Essa pode ser a equação a seguir. Amizades novas, velhas, um bom amigo de um amigo e um céu cyan com poucas nuvens. Junte-se o dourado de uma boa cerveja ou o rubi de um grande vinho. Depois é só fechar a mala ou a mochila, abrir um sorriso e partir."
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
A odisseia de Ulisses
No livro "Leituras I", referido no post anterior, há muitos textos interessantes e alguns deles foram editados em banda desenhada.
Um dos textos que apresenta aquela forma de apresentação é um resumo da obra "Odisseia", do poeta grego Homero, que conta a história de Ulisses. Aqui registo essa banda desenhada:
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Quem se lembra?
Ainda conservo muitos livros dos tempos de estudante. Alguns deles foram utilizados há mais de 50 anos e já estão um pouco deteriorados.
Hoje, registo aqui um desses livros. Trata-se se de "Leituras I", da autoria de Virgílio Couto, editado pela Livraria Didáctica - Lisboa. Numa das páginas iniciais do livro anotei isto:
Livro que utilizei no 1º ano do Ciclo Preparatório na Escola Técnica Ramalho Ortigão, no ano lectivo 1956/57.
Disciplina: Língua e História Pátria
Ano 1º - Turma 8 - Aluno nº 568
Escola Artes Decorativas Soares dos Reis
05/08/1962
Quem se lembra deste livro?
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
LEYA... que grupo!
Há dias comprei um livro que me foi entregue dentro de um saco de plástico onde se pode ler isto, de forma contínua:
LEYA pensamentos LEYA cores e sentimentos LEYA sozinho ou acompanhado LEYA a sério ou a brincar LEYA depressa ou devagarinho LEYA todos os dias um bocadinho LEYA quando, como e onde lhe apetecer LEYA tudo o que lhe dá prazer LEYA letras com sabores LEYA romances LEYA poesia LEYA países LEYA viagens e outras culturas LEYA arte LEYA música LEYA pintura LEYA escultura LEYA sonhos LEYA tudo o que se pode ler LEYA de dia LEYA à tarde LEYA à noite LEYA em casa LEYA na praia LEYA no metro LEYA no comboio LEYA no banco do jardim LEYA de pernas para o ar LEYA debaixo da cama LEYA por vício LEYA por paixão LEYA por amor LEYA com os olhos do coração LEYA com a alma LEYA pensamentos LEYA cores e sentimentos...
E da observação do saco de plástico fica-se ainda a saber que o grupo editorial LEYA é constituído pelas seguintes editoras:
Academia do Livro, Asa, Biis, O Caderno, Caminho, Casa das Letras, Publicações D.Quixote, Estrela Polar, Gailivro, Livros D'Hoje, Lua de Papel, Ndjira, Novagaia, Editorial Nzila, Oceanos, Oficina do Livro, Quinta Essência, Sebenta, Teorema, Texto Editores e Universal.
Haverá mais alguma editora portugues que tenha "escapado" ao grupo LEYA?
Agora digo eu: leia o que quiser e como quiser, mas... LEIA!
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Realismo
Mais uma vez, faço aqui referência a uma crónica de Nicholas Kristof no jornal i, desta feita publicada hoje com o título "Visita ao paraíso de África".
Reportando-se ao facto do Gabão estar a tentar salvar a vida selvagem e transformar o país em destino turístico dos ocidentais, aquele jornalista do New York Times escreve quase no fim do artigo:
"Um dos factos que nos fazem cair na realidade é que as pessoas que se derretem com os gorilas e os elefantes vêm geralmente da América ou da Europa. Para as pessoas ali nascidas, a maioria das quais muito pobres apesar da riqueza petrolífera do país, a conservação da natureza pode ser um transtorno."
E logo a seguir, ao referir-se a uma conversa tida durante uma visita a uma localidade daquele país africano, diz-nos que uma jovem chefe de aldeia sem papas na língua declarou que "preferia que os elefantes morressem a vê-los comer as suas plantas de mandioca".
Realismo da jovem? Realismo de quem pouco tem para sobreviver?... Claro!
Nota: A crónica pode ser lida na íntegra aqui.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
A escola da esperança
Com o título acima, pode ler-se na edição de hoje do jornal i uma crónica do jornalista americano Nicholas Kristof a respeito de uma escola secundária fundada na localidade de Marial Bai, no Sudão, por um refugiado sudanês. Daquela crónica, transcrevo isto:
"O Sudão meridional é uma das regiões mais pobres da Terra e esta remota localidade, a 200 kms da estrada alcatroada mais próxima, não tem electricidade nem água canalizada. No entanto, graças a um notável jovem cidadão dos EUA que lá cresceu e aos leitores que o apoiam, a localidade tornou-se um pólo de atracção para os jovens sudaneses que sonham aprender.
Rapazes e raparigas chegam aqui vindos de locais a centenas de quilómetros de distância, na esperança de serem admitidos num novo colégio interno. Este é um projecto nascido da vontade de Valentino Achak Deng, cuja fuga da guerra e da fome é contada no bestseller de Dave Eggers "What is the What".
Valentino foi separado da família durante a guerra civil sudanesa e passou a infância a evitar soldados, minas antipessoais, leões e outros perigos. Aprendeu a ler e a escrever desenhando letras na areia num campo de refugiados e, em 2001, foi aceite nos EUA como refugiado. Foi estudante-trabalhador até concluir a faculdade e depois resolveu compensar pelo que tinha recebido.
...
Dave e Valentino aplicaram os lucros de "What is the What" na fundação da dita escola secundária, que está agora a seleccionar alunos para o seu segundo ano lectivo, a arrancar dentro de dias. Mais de 1.000 alunos, alguns deles adultos que viram os seus estudos interrompidos pela guerra, estão a competir pelas 150 vagas do nono ano.
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No ano passado, em todo o Sudão meridional, só 11 raparigas fizeram exames de fim de secundário, segundo estatísticas governamentais.
Um dos dados estatísticos oficiais mais brutais do Sudão meridional é este: uma rapariga tem muito mais probabilidades de morrer de parto do que completar a educação básica.
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Esta escola é gratuita, única esperança de alunos brilhantes que não têm dinheiro para propinas, mas são os próprios alunos que se encarregam da limpeza e manutenção das instalações.
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Valentino procura tornar a escola multi-étnica, aceitando alunos árabes muçulmanos ligados com as tribos do norte que devastaram o sul durante a guerra civil. Tem alunos empenhados em projectos sociais, como a construção de cubatas para pessoas deslocadas e está empenhado em criar dirigentes capazes de construírem um país mais pacífico e mais próspero.
...
Esta escola não é uma solução para os problemas do Sudão e vai educar apenas uma diminuta percentagem de jovens sudaneses que aspiram a um futuro melhor. Mas é uma centelha estimulante num país crivado de problemas."
Fica aqui registado o bom exemplo daquele jovem refugiado sudanês.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Mentalidade de "vale tudo"
Da crónica intitulada "As instituições e o carácter", da autoria de João Pedro Rosas, publicada na edição de ontem do jornal i, permito-me transcrever isto:
"... os cidadãos que vivem em regimes anti-democráticos desenvolvem um carácter baseado no medo, na autocensura, na impossibilidade de confiar seja em quem for, tal como a capacidade de deduzir aquilo que não pode ser dito. Num enquadramento institucional liberal-democrático, o carácter humano muda: o medo dá lugar à reivindicação, a desconfiança dá lugar à concordância ou à oposição, a capacidade para ler nas entrelinhas é substituída pela procura do sentido explícito.
Da mesma forma, aqueles que vivem em sociedades razoavelmente justas, com igualdade efectiva de oportunidades e poucas desigualdades sociais (nas sociais-democracias nórdicas, por exemplo), tendem a ser autoconfiantes e também leais à ordem social existente. Quando as instituições da justiça social não existem, ou funcionam mal, geram-se incentivos para comportamentos mais egoísticos e para uma maior propensão para a fraude e o compadrio. A percepção da falta de equidade social gera uma mentalidade de "vale tudo".
Devemos interrogar-nos sobre o tipo de caráctar humano e de "sentimentos morais" que as instituições da democracia portuguesa têm favorecido. Houve certamente um grande progresso com a derrota do medo e da hipocrisia que as instituições repressivas do Estado Novo favoreciam. Mas noutras esferas institucionais os resultados não são assim tão brilhantes. A incerteza e a demora na administração da justiça, a ineficiência fiscal, a extrema desigualdade de rendimentos, o facilitismo do sistema educativo, os excessos do crédito ao consumo, etc., favoreceram um tipo de carácter que se repete em todos os domínios de actividade: o carácter do chico-esperto, do que vive na impunidade, daquele que restringe a sua existência ao domínio privado e maltrata o domínio público (o Código da Estrada, o ambiente, as ruas da cidade)."
E como considero importante o teor da referida crónica, decidi registar em post uma parte substancial do texto.
sábado, 3 de abril de 2010
Sexo forte: a mulher
Do artigo "Os rapazes deixam-se ficar para trás", escrito pelo jornalista americano Nicholas Kristof e publicado na edição de anteontem do jornal i, transcrevo isto:
"Mesmo nos EUA, muita gente ainda associa o fosso entre sexos no âmbito da educação a raparigas menos capazes em matemática.
Contudo, hoje em dia, o problema que se foi instalando entre nós tem o sinal contrário: nos EUA, como noutros países ocidentais, são sobretudo os rapazes que estão a ficar para trás academicamente. Os últimos estudos revelam que nos EUA as raparigas atingiram a paridade com os rapazes na matemática e estão muito à frente deles em capacidade de expressão verbal e, de uma maneira geral, parecem esforçar-se mais."
A leitura do artigo em questão fez-me lembrar que, em conversas entre amigos, venho dizendo que a mulher é actualmente o sexo forte. Aliás, penso que daqui a algumas décadas a mulher terá um lugar de topo na sociedade e que quase todas as decisões do poder político, económico e social sairão da sua liderança.
Por isso, ao sexo forte: viva, viva, viva!
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
A vida é como...
Li este livro de crónicas, já lá vão quase dois anos. Li-o com agrado, pois a escrita é acessível, directa e, por vezes, divertida. E ainda não tinha acabado de o ler quando escrevi este post.
No final da leitura, pensei que seria interessante apresentar neste espaço alguns excertos dos textos que atraíram mais a minha atenção e que, por isso, me levou a copiá-los para o livro de apontamentos deste blogue. Mas, por uma razão ou por outra, fui adiando a concretização da ideia. Até agora.
E vou começar esse registo com este excerto:
"A vida é como um velho disco de vinil: tem o lado A e o lado B. Quem tem mais de trinta anos sabe disso muito bem (até porque tem idade para saber o que é um disco de vinil). Não que a regra não valha para quem tem vinte ou cinquenta anos, mas, para os trintões, muitas vezes o lado B da vida é mais do que uma realidade, é a realidade propriamente dita."
domingo, 7 de dezembro de 2008
Neves e Sousa
Por mão amiga, há dias chegou cá a casa um livro que constitui uma bela e merecida evocação da obra de Neves e Sousa. Trata-se de uma publicação recente da Sextante Editora, com o título "Neves e Sousa - pintor de Angola - 1921-1995"
Na capa do livro, ressalta um quadro do artista onde registou a figura de uma mulher do sul de Angola. E no interior pode-se ter o gosto de admirar desenhos, aguarelas e óleos de Albano Neves e Sousa, além de outros contributos incluídos na publicação.
Como também era poeta, tomo a liberdade de aqui reproduzir um dos seus poemas [escrito no Brasil, onde viveu nos últimos vinte anos da sua vida]:
Angolano
Ser angolano é meu fado e meu castigo
Branco eu sou e pois já não consigo
Mudar jamais de cor e condição
Mas, será que tem cor o coração?
Ser africano não é questão de cor
É sentimento, vocação, talvez amor
Não é questão, nem mesmo de bandeiras,
De língua, de costumes ou maneiras...
A questão é de dentro, é sentimento
E nas parecenças doutras terras,
Longe das disputas e das guerras
Encontro na distância esquecimento.
Neves e Sousa
1979
Nota: O livro foi oferecido à Inha, a minha mulher, que, desde adolescente e em Luanda, conviveu de perto com o Neves e Sousa e a sua mulher. Aliás, foi em casa dos meus sogros que, em tempos mais recentes e aqui no Porto, tive a oportunidade de conhecer, pela primeira vez, alguns quadros do pintor que lhes foram oferecidos pelo próprio. Cá em casa temos um retrato da minha mulher, aos quinze anos, desenhado a carvão pelo "pintor de Angola".
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
O esplendor de Portugal
Há cerca de dez anos foi-me oferecido um livro do Lobo Antunes como prenda de aniversário. Logo a seguir à dedicatória foi acrescentada esta nota: "Para leres e depois emprestares!".
Ao longo destes dez anos fiz dezenas e dezenas de tentativas para dar andamento ao pedido daquela nota. Lia quase diariamente antes de me deitar e, ao fim de uma semana, tinha avançado apenas trinta ou quarenta páginas. A leitura obrigava a uma concentração enorme, lia quatro ou cinco páginas e necessitava de voltar atrás para enquadrar novamente uma ou outra personagem, uma ou outra situação. A leitura tornava-se fatigante, incomodativa, frustante. E, por isso, acabava por desistir e punha o livro de lado. Uns meses depois recomeçava a leitura desde a primeira página, mas aqueles procedimentos repetiam-se. E, mais semana menos semana, lá voltava o livro para o descanso da estante por mais uns tempos. E isto durou dez anos!
No fim do ano passado, talvez em Outubro, retomei mais uma vez a leitura do tal livro. Estava entusiasmado pela experiência de, entretanto, ter lido diversas crónicas daquele escritor na revista "Visão" e, então, pensei com os meus botões que seria agora ou nunca. E foi mesmo! Com uma leitura nem sempre diária durante cerca de sete meses, no sistema 'avança umas páginas e volta atrás' para situar o desenvolvimento da acção do livro, consegui chegar ao fim. E gostei de ter chegado ao fim do livro. E gostei de ter lido o livro. E, agora, estava finalmente possibilitado a emprestá-lo...
E, de facto, já o emprestei. O 'meu' livro com o título "O esplendor de Portugal", de António Lobo Antunes, está agora em Barcelona nas mãos do meu filho, que foi quem o ofereceu.
Na 'onda' da leitura daquele livro, comprei este ano outro do Lobo Antunes´: "O meu nome é Legião". Comecei a lê-lo há cerca de cinco meses e já consegui ultrapassar as duzentas páginas, mais de metade. E estou a gostar de o ler.
Do mesmo autor e à espera de vez para serem lidos, ainda tenho os seguintes livros: "As naus", "Que farei quando tudo arde?" e "Livro de crónicas". Mas não sei quando pegarei num deles para o ler. Não sei mesmo!...
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
O calcanhar de Aquiles…
Acabei hoje de ler um livro de uma escritora americana, tem o título sugestivo de Presságio de Fogo e conta a história reimaginada da Guerra de Tróia, é um livro que me interessou muito, tem quinhentas e tal páginas mas li-o no espaço de uma semana, fez-me lembrar leituras antigas do poema épico Ilíada escrito por Homero, teria eu na altura não sei bem se doze ou treze anos, a heroína daquele romance é Cassandra, a princesa real de Tróia que tinha visões e fazia presságios, e a história é-nos contada a partir do seu ponto de vista, a autora do livro articula os dados históricos com a lenda, os mitos dos deuses com os feitos dos heróis, os factos e a ficção, e assim apresenta-nos uma nova imagem do conto antigo e dos seus intérpretes, fala-nos de Páris, irmão gémeo de Cassandra, ambos filhos de Príamo, rei de Tróia, fala-nos também de Helena, a bela princesa grega casada com Menelau, raptada por Páris e levada para o palácio de Príamo, passou então a ser conhecida por Helena de Tróia, foi o seu rapto que determinou a expedição dos gregos contra Tróia, comandados pelo seu chefe Agaménon, irmão de Menelau, fala-nos ainda de Heitor, de Eneias, de Aquiles e do seu amigo Pátroclo, de outras filhas e de outros filhos de Príamo, de sacerdotisas do deus Apolo, uma das quais era a própria Cassandra, de guerreiras amazonas chefiadas por Pentesileia, tia da heroína e irmã de sua mãe Hécuba, etc., etc. De todas foi a história de Aquiles que me fez pegar no dicionário à procura de dados e fazer comparações, no livro este herói, chefe dos exércitos do seu pai de nome Peleu, rei dos Mirmidões, aparece-nos como um guerreiro louco, sanguinário, desumano e invulnerável, foi ele que, para vingar a morte de Pátroclo, derrotou Heitor, filho primogénito de Príamo, apenas foi vencido por Cassandra, do alto do terraço do templo de Apolo, sobranceiro ao campo de batalha, a princesa com o seu arco disparou uma flecha e a seta envenenada foi atingir o calcanhar de Aquiles, causando-lhe a morte em poucos minutos, mas depois pelo dicionário retirei a seguinte informação, quando nasceu Aquiles sua mãe mergulhou-o na águas do rio Estige, tornando-o invulnerável, excepto no calcanhar por onde sua mãe o tinha segurado, muitos anos mais tarde foi mortalmente ferido no calcanhar por uma flecha envenenada que Páris lhe arremessou, como se vê as histórias da morte de Aquiles são diferentes em alguns pormenores, apenas coincidem no seu ponto vulnerável, isto é, no calcanhar de Aquiles. E, através dos tempos, esta expressão ficou...
Notas:
1. Texto escrito em Setembro/1997.
2. Dado que na altura em que escrevi este texto, não referi, por lapso, o nome da autora do livro “Presságio de Fogo”, e como, passados estes dez anos, já não sei qual o seu paradeiro, fiz pesquisa na internet pelo título. Fui, então, encontrar o blogue “Há sempre um livro… à nossa espera”,onde a bloguista expressa a sua opinião sobre todos os livros que já leu. E fui lá encontrar um ‘post’ de Fevereiro/2005 acerca daquele livro, que foi, agora já o posso mencionar, escrito por Marion Zimmer Bradley.
Aproveito esta ocasião para expressar aqui o meu agradecimento à Cláudia Sousa Dias, a autora do blogue, pela possibilidade que tive referir o nome da autora americana nesta nota ao meu ‘post’. E também para registar o meu contentamento pela descoberta do seu blogue, onde, pelos ‘posts’ que entretanto já li, posso obter as ‘imagens’ de vários livros. E, por isto, o blogue já entrou no grupo dos meus favoritos. E, ainda por tudo isto, recomendo a quem aqui vier que faça uma visita ao “Há sempre um livro… à nossa espera”.
sábado, 9 de junho de 2007
Memórias… de livros
Nos anos 70 apareceu a colecção “Livros de Bolso” das Publicações Europa-América. Durante alguns anos, fui comprando à medida que iam sendo publicados, creio que eram dois livros por mês.
Daquela colecção, e em sequência, comprei 151 livros, mas não sei se está completa. Por isso, há dias consultei o site das PEA para obter a lista integral. Apenas descobri que alguns dos títulos ainda podem fazer parte do cabaz de compras on-line, mas reportam-se a publicações de anos recentes. Da colectânea daquela década, nada… O que também não é para admirar, dado que já se passaram cerca de trinta anos.
A título de memória, registo aqui alguns dos títulos, incluindo o primeiro e o último:
- nº 1 - Esteiros - Soeiro Pereira Gomes - Setembro.1971
- nº 42 - Morte dum caixeiro viajante - Arthur Miller - Outubro.1972
- nº 46 - A noite roxa - Urbano Tavares Rodrigues - Dezembro.1972
- nº 70 - Guerra e Paz I - Leon Tolstoi - Novembro.1973
- nº 71 - Guerra e Paz II - Leon Tolstoi - Novembro.1973
- nº 96 - O pão da mentira - Horace McCoy - Novembro.1974
- nº 102 - O exorcista - William Peter Blatty - Fevereiro.1975
- nº 132 - Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Márquez - Maio.1976
- nº 151 - Fanny Hill – Memória de uma prostituta - John Cleland - Abril.1977
Na época, li todos aqueles 151 livros, mas agora já não me lembro do conteúdo da maioria deles. E, confesso, gostaria de reler alguns. Talvez um dia destes…
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Os Trintões
Há alguns dias,em casa de familiares, pedi um livro emprestado. Fui atraído pelo título. E também pela capa. Refiro-me a "Os Trintões" de Edson Athaide [Ed. Palavra - 2005]. Trata-se de um conjunto de crónicas que o autor publicou anteriormente em jornais e revistas. Ainda não acabei de o ler, porque, como faço por vezes, estou a intercalar a sua leitura com a de outros livros.
Mas, antes que me esqueça e devolva o livro sem o fazer, quero aqui referir-me a uma parte do prefácio escrito por Miguel Esteves Cardoso, que já encontrei sublinhada e que também me chamou a atenção. Reza assim:
Pode ser que, quando terminar de o ler, volte a falar deste livro. Talvez...








