segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O esplendor de Portugal


Há cerca de dez anos foi-me oferecido um livro do Lobo Antunes como prenda de aniversário. Logo a seguir à dedicatória foi acrescentada esta nota: "Para leres e depois emprestares!".

Ao longo destes dez anos fiz dezenas e dezenas de tentativas para dar andamento ao pedido daquela nota. Lia quase diariamente antes de me deitar e, ao fim de uma semana, tinha avançado apenas trinta ou quarenta páginas. A leitura obrigava a uma concentração enorme, lia quatro ou cinco páginas e necessitava de voltar atrás para enquadrar novamente uma ou outra personagem, uma ou outra situação. A leitura tornava-se fatigante, incomodativa, frustante. E, por isso, acabava por desistir e punha o livro de lado. Uns meses depois recomeçava a leitura desde a primeira página, mas aqueles procedimentos repetiam-se. E, mais semana menos semana, lá voltava o livro para o descanso da estante por mais uns tempos. E isto durou dez anos!

No fim do ano passado, talvez em Outubro, retomei mais uma vez a leitura do tal livro. Estava entusiasmado pela experiência de, entretanto, ter lido diversas crónicas daquele escritor na revista "Visão" e, então, pensei com os meus botões que seria agora ou nunca. E foi mesmo! Com uma leitura nem sempre diária durante cerca de sete meses, no sistema 'avança umas páginas e volta atrás' para situar o desenvolvimento da acção do livro, consegui chegar ao fim. E gostei de ter chegado ao fim do livro. E gostei de ter lido o livro. E, agora, estava finalmente possibilitado a emprestá-lo...

E, de facto, já o emprestei. O 'meu' livro com o título "O esplendor de Portugal", de António Lobo Antunes, está agora em Barcelona nas mãos do meu filho, que foi quem o ofereceu.

Na 'onda' da leitura daquele livro, comprei este ano outro do Lobo Antunes´: "O meu nome é Legião". Comecei a lê-lo há cerca de cinco meses e já consegui ultrapassar as duzentas páginas, mais de metade. E estou a gostar de o ler.

Do mesmo autor e à espera de vez para serem lidos, ainda tenho os seguintes livros: "As naus", "Que farei quando tudo arde?" e "Livro de crónicas". Mas não sei quando pegarei num deles para o ler. Não sei mesmo!...

domingo, 26 de outubro de 2008

Pelotão das "carecadas"... [1]


Estávamos em Outubro de 1967, no quartel de Tavira. No início do mês tinham chegado várias dezenas de soldados milicianos. Todos eles vinham de outros quartéis onde passaram os seus três primeiros meses do serviço militar obrigatório. Agora preparavam-se para mais três meses de tropa através da formação militar da 'especialidade' que, em função dos resultados dos testes psicotécnicos realizados durante a recruta, fora atribuída a cada um.

A mim e a outros vinte e tal daqueles milicianos, destinados à 'especialidade' de "Reconhecimento e Informação" [ver aqui], coube-nos ser enquadrados num pelotão colocado na 2ª Companhia.

À época, quem chegava de novo ao quartel de Tavira logo era confrontado com uma das suas 'características': a 'invasão' de percevejos nas casernas. E, devido a isso, muitos dos milicianos arrendavam quartos particulares na cidade. Tal era possível pela relativa facilidade com que se obtinha na secretaria da Companhia a licença de 'pernoita fora' e também pelos esquemas, à porta de armas do quartel, de oferta de quartos. Aliás, uma parte da população circundante vivia dos rendimentos que essas rendas proporcionavam, dado que de três em três meses lá apareciam novos inquilinos.

No 'meu' pelotão, constituído por quase trinta 'especialistas', mais de uma dúzia tinha arrendado quartos e, portanto, não dormia no aquartelamento. Todos os dias, após serem cumpridas as actividades dentro do quartel, das quais a última era quase sempre a presença na formatura para o jantar, os 'pernoitas fora' lá se preparavam para a revista da saída, feita pelo oficial de dia: a farda cuidada e vestida a preceito, a boina assente na cabeça e as botas bem engraxadas.


[continua]

Notas:
1.- A minha ideia inicial era colocar o texto completo num 'post', mas, depois, apercebi-me que estava muito extenso. E assim, como não quero contribuir para algum leitor adormecer sobre o computador, resolvi publicá-lo por duas ou três vezes. Daí, a indicação "continua" logo a seguir à foto.
2.- Foto do Quartel da Atalaia - Tavira, obtida na Wikipédia.

sábado, 25 de outubro de 2008

Entrada livre


Até agora a possibilidade de fazer comentários neste blogue apenas era permitida a quem estivesse registado. E, por isso, esta situação era impeditiva de alguns amigos deixarem aqui as suas palavras, devido ao facto de não terem feito o seu registo em qualquer servidor.

Mas, a partir de hoje, as coisas estão mudadas, quem quiser pode deixar o seu comentário.

Agora, a entrada é livre!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Morreu um poeta!


Através de uma notícia do jornal Público, soube da morte em 31/08 do poeta Joaquim Castro Caldas.

E lembrei-me das "segundas-feiras da poesia" no Pinguim Café, já lá vão muitos anos, e do que escrevi aqui no ano passado.

Que esteja em paz!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

'Cuato' anos!


- Hoje fazes anos?
- Faço.
- Quantos anos fazes?
- Cuato!



Adenda:
O título e o texto originais foram alterados de "catro" para "cuato". Isto porque, após recentes testes de sonoridade, cheguei à conclusão que aquela expressão traduz melhor o que diz o Tiago.
E ao Tiago as minhas desculpas, tá?
o2-Nov-2008


terça-feira, 19 de agosto de 2008

Lamego... ainda!


Mas de Lamego não veio apenas a imagem publicada no post anterior. E a ideia de registar aquela foto num post foi para salientar a comemoração feita em 1993 dos 850 anos do Tratado de Zamora.

Aliás, de Lamego vieram muitas fotos. E difícil mesmo foi a escolha das que podem retratar a cidade onde passeei com agrado. Aqui ficam algumas.














Lamego


Um dos sítios por onde andei nos fins de Maio foi em Lamego. E, após ter chegado à parte alta da cidade, umas das primeiras coisas que me chamou a atenção foi o monumento retratado na foto, onde se pode ler:

850 ANOS
DO TRATADO DE ZAMORA
1143 - 1993

De regresso de Zamora aonde, em Setembro de 1143, assinou o tratado da independência de Portugal, o rei D. Afonso Henriques passou no mesmo mês pela cidade de Lamego e aqui reuniu a sua cúria na Igreja de Almacave.


sábado, 16 de agosto de 2008

Peso da Régua



Quem chega a Peso da Régua pode observar esta imagem junto ao Rio Douro.



Ou esta, debaixo do viaduto rodoviário que serve a auto-estrada.

Douro... lindo!


Quem vai de Mesão Frio para Barqueiros pode passar por um miradouro, junto de uma capela da qual não fixei o nome, e daí observar esta paisagem do Douro.

Mesão Frio


Quase todas as localidades têm uma praça e um pelourinho.

Mesão Frio não foge à regra e tem o seu pelourinho situado na... Praça do Pelourinho, claro!