quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Pelotão das 'carecadas'... [3]


[continuação daqui]



Naquela manhã houve, portanto, grande rebuliço no quartel. Na 2ª Companhia, os desenfiados do 'meu' pelotão foram chamados ao gabinete do comandante da Companhia [um capitão severo e exigente, a quem o pessoal atribuíra o apelido de "Black" por ser mulato]. E, depois de um sermão do caraças acerca da disciplina militar e da atitude irresponsável na noite anterior, o comandante informou-os do castigo para cada um: 30 dias de detenção 'particular' e ida ao "Caifás".

Daquele castigo, que não ficou registado na caderneta militar dos desenfiados, a parte mais aceitável ainda era o tempo de detenção, dado que representava apenas o impedimento de sair do quartel durante um mês [apesar de ter obrigado a uma grande utilização de creolina na limpeza diária da caserna…]. E isto porque a outra parte da punição foi mais humilhante para todos os visados. É que o "Caifás" era o barbeiro do quartel e ele sabia que, para aqueles casos, teria de utilizar a 'máquina zero', ou seja, teria de dar uma carecada a cada um daqueles milicianos. E, claro, foi isso mesmo que o "Caifás" lhes fez.

Como era, em todo o quartel, o grupo onde havia maior número de cabeças rapadas, foi desta maneira que o 'meu' pelotão ficou conhecido, durante os restantes dois meses da especialidade, pelo "pelotão das carecadas".

E falta apenas acrescentar mais uma coisa: um daqueles cabeças rapadas era eu. Pronto, está dito!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Dia do Armistício


Foi há 90 anos que foi assinado o Armistício em França, entre os Aliados e o Império Alemão, dando por findas as hostilidades da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), que fez mais de 15 milhões de vítimas.

Foi há 90 anos e, por isso, hoje por quase toda a Europa comemora-se o Dia do Armistício.





[... Mas o Homem normalmente tem memória curta. Tão curta que, quase vinte anos depois, teve início o conflito que mais vítimas causou em toda a história da Humanidade, a 2ª Guerra Mundial (1939-1945)].

Nota: Imagens obtidas na Wikipédia.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Pelotão das 'carecadas'... [2]


[continuação
daqui]



De vez em quando, depois do jantar, havia lugar à realização de 'instrução nocturna'. Este tipo de actividade tanto podia ser um patrulhamento exterior como uma projecção de filmes no refeitório do quartel. As instruções nocturnas umas vezes destinavam-se a uma ou a duas Companhias, outras vezes abrangiam todas. As sessões de cinema eram para todo o pessoal do quartel, visto que quase todos os filmes versavam a guerra do Ultramar e continham uma mensagem explícita para os soldados a fim de os motivar para o combate, mas, por serem muito repetitivas, tornavam-se uma grande 'seca' para quem era obrigado a assistir.

Numa daquelas noites de cinema lá estavam todas as Companhias na parada, devidamente formadas com os seus pelotões, à espera da indicação do oficial de dia para entrar no refeitório. Na altura, o 'meu' pelotão era comandado por um cabo miliciano, tipo 'porreiro', que, em voz baixa, ia-nos dizendo: "Depois da ordem para avançar, quem quiser 'desenfiar-se' ao filme, pode ir embora, ok?". Quando foi dada aquela instrução, quase metade do 'meu' pelotão, com a ajuda da escuridão da noite, esgueirou-se da formatura e dirigiu-se para a porta de armas. E depois, fora do quartel, verificou-se que, como já acontecera em ocasiões anteriores, tinha havido o mesmo procedimento noutros pelotões, pois eram muitos os milicianos que se 'baldaram' à sessão de cinema. Por isso, naquela noite os 'desenfiados' foram aos seus destinos, descansados da vida...

Na manhã seguinte é que foi "o bom e o bonito". Todo o pessoal que se ‘desenfiara’ na noite anterior ficou então a saber o que tinha acontecido após a projecção. É que o oficial de dia tinha-se apercebido que estavam poucos soldados a assistir ao filme e, por isso, deu instruções para no fim da sessão se fazer uma 'chamada à americana', isto é, chamar os soldados um a um à saída do refeitório. E, desse modo, foram detectados todos os faltosos.

[continua]

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Poupança?...


Neste dia assinala-se o Dia Mundial da Poupança. Mas, nos tempos que correm, quem o celebra?

Em Portugal, no ano 2007 a poupança das famílias atingiu a taxa mais baixa dos últimos 12 anos [ver aqui]. E sabe-se que os rendimentos de grande parte das famílias não é suficiente para o custeio das necessidades básicas em alimentação, saúde e educação.

Então, poupar onde?





Nota: Imagem obtida na Sic Online.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Olá... 2 anos!



Com muitos beijinhos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Sudokumania


Há três anos, a quando das férias da praia no mês de Agosto, deu-me a mania para jogar Sudoku. Havia um certo entusiasmo por este passatempo por parte de alguns amigos e isso levou-me a também aderir à onda.

E a 'onda galgou a praia' quando, na altura, comprei a revista semanal Sábado que ofertava um livro de Sudoku
[formato 10,5x18 cm, com uma centena de problemas de diversos graus de dificuldade: simples, moderado, complexo e diabólico]
o que me arrastou desde logo para a situação de arranjar os restantes apetrechos necessários
[um lápis Staedtler de mina soft 2B, uma borracha branca hi-polymer e um bom afia-lápis cor de prata]
para o exercício correcto da sudokumania.

Na contracapa do livro pode ler-se:
"Sudoku é um jogo que não vai querer perder.
Vai escrever e apagar muitos números, mas não desista, pois os jogos mais difíceis estão no fim.
Para jogar Sudoku não é preciso gostar de matemática, basta um lápis, uma borracha e pensamento lógico.
Comece por um nível mais fácil e, num instante, estará pronto para desafios cada vez mais diabólicos.
Sudoku é altamente viciante. Milhares de pessoas em todo o mundo já se renderam ao seu poder.
Afinal, os números falam por si."


Então o Sudoku é altamemte viciante?... E ninguém toma uma atitude para acabar com o vício?... E não se fazem umas sessões de esclarecimento para o pessoal viciado?... E onde estão as clínicas de desintoxicação?...
[os sudokuados também são filhos de gente]

E repare-se nesta informação: "milhares de pessoas em todo o mundo...". Mas o que é isto comparado com os 6,6 mil milhões de alminhas que habitam a Terra?
[os gajos não sabem o que dizem, é o que é]

Sei que, naqueles tempos, a mim o Sudoku não viciou muito. E isto porque apenas resolvi dezena e meia de problemas
[dos simples, claro!]
até ao fim do mês seguinte. E arrumei o livro de lado, com as respectivas ferramentas do vício, durante o resto do ano. No ano seguinte nem lhes pus a vista em cima. E apenas voltei a pegar-lhes quando faltavam dois meses e pico para o fim de 2007,
[confesso que não sei para quê]
para, passados uns dias, lá voltar a encostar de novo o material na gaveta.
[ou foi na estante? já não me lembro]

Mas, não sei bem porquê, este ano voltei a interessar-me por este passatempo. Não foi com o tal livro 10,5x18 cm, com uma centena de problemas de diversos graus de dificuldade: simples, moderado, complexo e diabólico,
[é que entretanto perdi-lhe o tino]
mas foi com os problemas publicados nos jornais, nos gratuitos ou no Público quando o compro,
[este traz sempre dois jogos, quase sempre um fácil e outro difícil ou mesmo muito difícil]
o que me tem permitido passar melhor certos tempos mortos das manhãs, quando estou na casa de banho,
[distrai-me do que estou lá a fazer na posição de sentado]
pois que é para isso mesmo que servem os passatempos.

E, pronto, de Sudoku já chega, tá?




[que raio de patarequice, isto só de mim...]

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A teia abandonada


Ainda esta manhã era possível admirar a beleza de toda a teia, pois o orvalho da noite anterior realçava os fios de renda muito fina.

Mas, ao início da tarde, bastaram umas pingas de chuva para o rendilhado começar a ficar desfeito. E, pressentindo que a parte restante também seria danificada, a aranha pirou-se e abandonou a teia, certamente furiosa com a 'tempestade'.

Também eu me pirei do sítio, a remoer: "Que raio de tempo!..."



O esplendor de Portugal


Há cerca de dez anos foi-me oferecido um livro do Lobo Antunes como prenda de aniversário. Logo a seguir à dedicatória foi acrescentada esta nota: "Para leres e depois emprestares!".

Ao longo destes dez anos fiz dezenas e dezenas de tentativas para dar andamento ao pedido daquela nota. Lia quase diariamente antes de me deitar e, ao fim de uma semana, tinha avançado apenas trinta ou quarenta páginas. A leitura obrigava a uma concentração enorme, lia quatro ou cinco páginas e necessitava de voltar atrás para enquadrar novamente uma ou outra personagem, uma ou outra situação. A leitura tornava-se fatigante, incomodativa, frustante. E, por isso, acabava por desistir e punha o livro de lado. Uns meses depois recomeçava a leitura desde a primeira página, mas aqueles procedimentos repetiam-se. E, mais semana menos semana, lá voltava o livro para o descanso da estante por mais uns tempos. E isto durou dez anos!

No fim do ano passado, talvez em Outubro, retomei mais uma vez a leitura do tal livro. Estava entusiasmado pela experiência de, entretanto, ter lido diversas crónicas daquele escritor na revista "Visão" e, então, pensei com os meus botões que seria agora ou nunca. E foi mesmo! Com uma leitura nem sempre diária durante cerca de sete meses, no sistema 'avança umas páginas e volta atrás' para situar o desenvolvimento da acção do livro, consegui chegar ao fim. E gostei de ter chegado ao fim do livro. E gostei de ter lido o livro. E, agora, estava finalmente possibilitado a emprestá-lo...

E, de facto, já o emprestei. O 'meu' livro com o título "O esplendor de Portugal", de António Lobo Antunes, está agora em Barcelona nas mãos do meu filho, que foi quem o ofereceu.

Na 'onda' da leitura daquele livro, comprei este ano outro do Lobo Antunes´: "O meu nome é Legião". Comecei a lê-lo há cerca de cinco meses e já consegui ultrapassar as duzentas páginas, mais de metade. E estou a gostar de o ler.

Do mesmo autor e à espera de vez para serem lidos, ainda tenho os seguintes livros: "As naus", "Que farei quando tudo arde?" e "Livro de crónicas". Mas não sei quando pegarei num deles para o ler. Não sei mesmo!...

domingo, 26 de outubro de 2008

Pelotão das "carecadas"... [1]


Estávamos em Outubro de 1967, no quartel de Tavira. No início do mês tinham chegado várias dezenas de soldados milicianos. Todos eles vinham de outros quartéis onde passaram os seus três primeiros meses do serviço militar obrigatório. Agora preparavam-se para mais três meses de tropa através da formação militar da 'especialidade' que, em função dos resultados dos testes psicotécnicos realizados durante a recruta, fora atribuída a cada um.

A mim e a outros vinte e tal daqueles milicianos, destinados à 'especialidade' de "Reconhecimento e Informação" [ver aqui], coube-nos ser enquadrados num pelotão colocado na 2ª Companhia.

À época, quem chegava de novo ao quartel de Tavira logo era confrontado com uma das suas 'características': a 'invasão' de percevejos nas casernas. E, devido a isso, muitos dos milicianos arrendavam quartos particulares na cidade. Tal era possível pela relativa facilidade com que se obtinha na secretaria da Companhia a licença de 'pernoita fora' e também pelos esquemas, à porta de armas do quartel, de oferta de quartos. Aliás, uma parte da população circundante vivia dos rendimentos que essas rendas proporcionavam, dado que de três em três meses lá apareciam novos inquilinos.

No 'meu' pelotão, constituído por quase trinta 'especialistas', mais de uma dúzia tinha arrendado quartos e, portanto, não dormia no aquartelamento. Todos os dias, após serem cumpridas as actividades dentro do quartel, das quais a última era quase sempre a presença na formatura para o jantar, os 'pernoitas fora' lá se preparavam para a revista da saída, feita pelo oficial de dia: a farda cuidada e vestida a preceito, a boina assente na cabeça e as botas bem engraxadas.


[continua]

Notas:
1.- A minha ideia inicial era colocar o texto completo num 'post', mas, depois, apercebi-me que estava muito extenso. E assim, como não quero contribuir para algum leitor adormecer sobre o computador, resolvi publicá-lo por duas ou três vezes. Daí, a indicação "continua" logo a seguir à foto.
2.- Foto do Quartel da Atalaia - Tavira, obtida na Wikipédia.

sábado, 25 de outubro de 2008

Entrada livre


Até agora a possibilidade de fazer comentários neste blogue apenas era permitida a quem estivesse registado. E, por isso, esta situação era impeditiva de alguns amigos deixarem aqui as suas palavras, devido ao facto de não terem feito o seu registo em qualquer servidor.

Mas, a partir de hoje, as coisas estão mudadas, quem quiser pode deixar o seu comentário.

Agora, a entrada é livre!