Há manhãs que são mais difíceis do que outras, umas vezes levanto-me às sete, outras vezes uma ou duas horas mais tarde, depende do dia da semana em que me levanto ou da hora a que me deito na noite anterior, umas manhãs acordo com uma grande pedrada de má disposição, até parece que sou adepto do Sporting ou do Benfica, outras vezes saio da cama bem disposto e cantaroleiro, com genica para aguentar o dia-a-dia ou para enfrentar os sacanas que a vida nos apresenta, sim é verdade, ah! não acreditas, não é? eu sei que quando somos mais jovens temos a tendência para azular de claro as atitudes dos outros, somos mais ingénuos e de boa fé, mas os anos vão passando, com o tempo o azul vai escurecendo, os outros já não nos parecem tão boas pessoas e a nossa ingenuidade foi-se embora com o vento da vida, e é então aí que as imagens dos sacanas nos aparecem, feias e imprecisas como retratos tirados à la minuta, verdadeiras como as rugas que nos foram aparecendo com os entas, mas é preciso estar atento porque muitas vezes as imagens dos ditos estão fora da nossa visão normal, são como uma película impregnada, a imagem está lá mas apenas se vê depois da revelação e, em muitos casos, a revelação de um sacana apanha-nos desprevenido, não estamos a contar com uma coisa daquelas, então estás a ver aquele tipo, tão simpático, tão prestável, afinal é um grande filho da puta, o gajo anda a fazer-nos a cama nas nossas costas, então não é que anda para aí a dizer que a culpa foi nossa, que o buraco do ozono foi provocado pelos nossos gases, isto não são coisas que se digam de nós, não é? são estas surpresas estúpidas que nos dão cabo da vida, quando um tipo se levanta de manhã, bem disposto ou nem por isso, rapa a barba do dia anterior, toma um duche quente ou com a água assim-assim, engole apressado o leite do pequeno almoço, não sabe, não pode adivinhar que daqui a pouco vai estar perante um fulano que até parece porreiro e que afinal é mais um bom sacana, isto se é que há sacanas bons e sacanas maus, cá para mim são todos uns sacanas, amarradinhos com uma corda bem grossa a uma pedra enorme, largados do alto nem sei bem de onde, deveriam ficar cá com uma pedrada... E era muito bem feito!...
Nota: Texto escrito em Dezembro.1996
tretas -> ardis, manhas; palavreados; lérias; palanfrórios; e coisas sem importância [algumas vezes com...]
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Sacanas…?
terça-feira, 26 de junho de 2007
Darfur vs aquecimento global
Hoje de manhã, li um artigo de opinião* de Ban Ki-Moon, actual secretário-geral das Nações Unidas, com o título “As lições do Darfur”.
E o que mais despertou o meu interesse foi a relação que é estabelecida entre o conflito do Darfur, que já causou mais de 200 mil mortos ao longo de quatro anos, e as alterações climáticas a nível mundial. De facto, a certo passo do artigo lê-se:
“Falamos invariavelmente do Darfur utilizando uma cómoda linguagem política e militar e descrevendo-o como um conflito étnico que opõe milícias árabes a rebeldes e agricultores negros. Mas, se nos debruçarmos sobre as raízes do conflito, aperceber-nos-emos de uma dinâmica mais complexa. Ele teve início como uma crise ecológica, provocada, em parte, por uma alteração climática.
Há duas décadas, as chuvas começaram a tornar-se raras no Sul do Sudão. Segundo as estatísticas da ONU, a precipitação média sofreu uma redução de cerca de 40%, desde o início dos anos 80. Os cientistas começaram por pensar que se tratava de um infeliz capricho da natureza. Mas os trabalhos de investigação posteriores mostraram que esse fenómeno coincidira com uma subida da temperatura das águas do oceano Índico que perturba a estação das monções. Isto leva a pensar que a seca na África Subsariana se deve, pelo menos em parte, ao aquecimento do planeta provocado pelo homem. Não foi por acaso que a violência deflagrou em plena seca. Até lá, os pastores nómadas árabes tinham convivido pacificamente com os agricultores sedentários. Mas, quando deixou de chover, os agricultores ergueram barreiras à volta das suas terras, com receio de que elas fossem destruídas quando da passagem dos rebanhos. Pela primeira vez, não houve água nem alimentos suficientes para todos. E eclodiram os combates que, em 2003, se transformaram na verdadeira tragédia que hoje são. Mas é importante lembrar como tudo começou, pois é uma chave para o futuro.”…
E isto faz-me pensar no que poderá acontecer, dentro de dois ou três séculos, quando a água começar a escassear a nível mundial, no caso de continuar o aquecimento da Terra. Mas essa situação já não será para os nossos dias…
E isto também me faz pensar nas ‘razões’ da actual guerra do Iraque e no que poderá suceder daqui a 20 ou 30 anos quando as reservas mundiais de petróleo estiverem mesmo no ‘casco’. Mas esse cenário até poderá ocorrer nos nossos dias ou dos nossos filhos… É já amanhã!
* Visão nº 746, de 21/06/2007
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Cartoons no Porto
Esta tarde, em passeio de compras e de lazer pelo Dolce Vita de cá, fui surpreendido por uma exposição de cartoons do belga Ludo Goderis, que ganhou o prémio do público da edição do PortoCartoon 2006. Esta mostra, que tem o patrocínio do Museu Nacional da Imprensa, no Porto, abrange cerca de 100 trabalhos daquele artista, e estará patente naquele centro comercial até ao fim de Julho.
Entretanto, tive conhecimento que, desde o passado dia 22, estão em exposição naquele Museu, até ao final de Setembro, os cerca de 400 trabalhos seleccionados para o festival de desenho humorístico PortoCartoon 2007, dedicado ao tema “Globalização”. Para mais informações, clicar aqui .
domingo, 24 de junho de 2007
Tretas de ténis [8]
Mais um ‘post’ dedicado ao ténis. Hoje vou continuar a transcrever a regra nº 1, acerca do campo de ténis. Também vou referir-me aos encontros que vi na televisão do torneio WTA Eastbourne e, finalmente, aos meus resultados da semana.
Regras do ténis
Aqui serão transcritas as regras de ténis obtidas através do site da Federação Portuguesa da Ténis, numa versão revista em Nov.2006 por Paulo Cardoso, Juíz-Árbitro da FPT nível 3. Hoje vou transcrever a parte restante da regra nº 1, que foi iniciada na semana passada.
1. O campo (cont.)
As linhas que delimitam o campo nos fundos e nas laterais são chamadas respectivamente linhas de base e linhas laterais.
As linhas de serviço deverão estar em cada lado da rede e paralelas a esta, a uma distância de 6,40 m. Os espaços em cada lado da rede entre as linhas de serviço e as linhas laterais são divididas em duas partes iguais chamadas áreas de serviço pela linha central de serviço.
Cada linha de base deverá ser dividida a meio por uma marca central, com 10 cm de comprimento, desenhada no interior do court, paralela às linhas laterais.
● A linha central de serviço e a marca central de base deverão ter 5 cm.
● As outras linhas do campo deverão ter entre 2,5 cm e 5 cm de largura, excepto as linhas de base que poderão ir até 10 cm de largura.
Todas as medições deverão ser feitas da parte de fora da linha e todas as linhas deverão ter a mesma cor e contratando claramente com a cor do campo.
Não é permitido publicidade no campo, rede, fitas, faixas, postes ou sticks de singulares excepto o previsto no ANEXO III.
-> Torneio WTA Eastbourne – 18/06 a 23/06/2007
Trata-se de um torneio disputado em Inglaterra, em piso de relva, e que serve de preparação das tenistas para Wimbledon.
20/06 – 2ª ronda - Elena Dementieva (RUS) vs Katie O’Brien (ING) 6-3 6-4
20/06 – 1/4 - Justine Henin (BEL) vs Nicole Vaidisova (R. CH) 6-2 6-2
20/06 – 2ª ronda - Amélie Mauresmo (FRA) vs Mara Santangelo (ITA) 6-3 6-2
23/06 – Final - Justine Henin (BEL) vs Amélie Mauresmo (FRA) 7-5 6-7 7-6
-> Os resultados da semana
- Semana 25 – 18 a 24/06/2007
18/06 2ª Adv. ES vs Tretas 2-6 6-3 3-0 inc. Duração: 1h30
19/06 3ª Tretas vs Adv. RG 5-4 inc. Duração: 1h00
22/06 6ª Tretas vs Adv. ES 4-6 6-4 2-1 inc. Duração: 1h40
História de uma noite de S. João
Na altura, eu teria à volta de vinte anos. Foi, portanto, quase há… é isso, foi ‘ontem’. Apesar de nascido e criado até aos doze anos no Porto, ao tempo residia com os meus pais em Leça da Palmeira.
E isto passou-se durante uma noite de S. João. O meu grupo de amigos, mais ou menos da minha idade, juntou-se no Café Leça. E daí partimos, em dois ou três ‘bandos’, uns de autocarro e outros de eléctrico, para a baixa do Porto, a caminho das folias da noitada de S. João.
Por volta da uma e meia da noite, o grupo onde eu ia em rusga encontra-se com outro, de amigos nossos, na Rua Sá da Bandeira, em frente a Sampaio Bruno. E tudo à martelada e aos berros: e salta, e grita, é S. João. No meio daquela algazarra, com o meu quase metro e setenta, salto ao mesmo tempo com um amigo a rondar os quatro centímetros depois da fasquia dos dois metros. E, quando já estou com os pés no chão, o meu amigo ainda vem a descer e a aterrar com um dos cotovelos na minha cabeça. “Eh pá, f***-**!” “ Desculpa!” “Ok, não há problema, a malta está aqui é p’ra se divertir”. E salta, e grita, e corre, é S. João. E salta, e grita, e corre, e lá vamos em dois grupos, em rusgas serpenteadas, cada um para o seu lado.
Já passa das cinco da madrugada. Os corpos moídos pelo cansaço das correrias e das folias. E dá-se uma paragem de indecisão para escolher o sítio onde vamos comer umas sandes de presunto e beber umas cervejas. Sinto a cabeça humedecida e penso que é das ‘orvalhadas’ de S. João. Às tantas, ponho a mão à cabeça e reparo nos dedos molhados, tintos de… sangue. O que teria acontecido? A conclusão foi de dois segundos: o cotovelo daquele meu amigo tinha feito estragos…
Fui à urgência do Santo António. Não havia pessoas à espera e, por isso, fui atendido quase de imediato. Tinha um ‘lanho’ na cabeça. Raparam-me a zona. Levei uns pontos, já não me recordo quantos. E de lá saí com um ‘salapismo’* no alto da cabeça, mais ou menos no sítio onde antigamente os padres tinham a ‘coroa’**.
Se algumas histórias têm ‘moral’, a desta é a seguinte: nunca saltes com gajos muito mais altos do que tu, pois podes aleijar-te!...
Notas:
*- Na nossa linguagem de calão daqueles tempos, ‘salapismo’ era sinónimo de curativo.
**- Naquela altura não percebia, e até hoje ainda não entendi, a função da ‘coroa’ dos padres. Para que servia?
sábado, 23 de junho de 2007
Viva o S. João!
Ó tu que és galhofeiro
Ó tu que és folião
Sejas ou não tripeiro
Sê bem-vindo ao S. João
Foi assim que me saiu esta quadra [*]. Para me recordar de muitas noites de 23 para 24 de Junho, passadas a cirandar, em rusgas alegres, pelas ruas onde haviam festejos de S. João. Da Rotunda da Boavista aos Clérigos e daqui até às Fontaínhas. Com o alho-porro na mão ou, em tempos mais recentes, com o martelinho de plástico, para ‘afagar’ as cabeças dos outros foliões. Até ao dia aparecer e a noitada acabar na praia.
E a recordação é apenas de ontem…

[*]- Não tenho quaisquer dons de poeta e ressalvo qualquer plágio que esteja a cometer com esta quadra, pois que, a verificar-se, é involuntário. E não pago direitos de autor…
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Fim das aulas
Hoje, tendo em conta este ano lectivo, foi o último dia de aulas da Sara.
A neta mais velha, com nove anos, acabou o 4º ano, do 1º ciclo do ensino básico. E trouxe um ‘livro de finalista’.
Não sei se hoje em dia estão mais ou menos generalizadas estas coisas dos ‘livros de finalistas’ nas escolas do ensino básico. Mas acho interessante esta ideia de entregarem estes livros aos miúdos. Dá-lhes, penso, um certo orgulho pela transposição de uma etapa da vida escolar. E ficam com algo para recordar daqui a uns anos.
Oxalá também lhes traga a vontade de aprender, sempre.
Eu tenho dois amores…
…
- O ‘G’afael fez doi-doi na testa a mim.
- E depois?
- A Ana ‘G’ita deu um beijinho na bochecha aqui a mim.
- A Ana Rita é a tua namorada?
- Não… tenho duas namo’adas.
- Ai tens, quem são?
- Luana e Mafalda.
…
Será caso para cantarolar “Eu tenho dois amores…”?...
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Brrr!... que frio!
Em Roma sê romano, sempre ouvi dizer... está bem, vou fazer isso tal qual pensei agora mesmo, então estava eu a chegar à Finlândia, isto foi com certeza influência da leitura de hoje de manhã na casa de banho, enquanto esperava a descarga dos intestinos, peguei num magazine do Notícias e pronto, estava lá um artigo do género faça as malas, viaje agora e pague depois, a viagem proposta era para o país dos mil lagos, então estava eu a sair do aeroporto de Helsínquia e logo me arrependi... brrr!... que frio! estupidez a minha, não estou preparado para tanto frio, chego aqui apenas com um pulôver em cima da camisa, então não é para estranhar o arrepio de frio, dentro de casa não preciso de grandes agasalhos, quem me manda então viajar para os lados da Lapónia sem antes me vestir a preceito, isto deve ser da idade, ou melhor, da p.d.i. (quem quiser que interprete os pontos depois do pê, do dê e da outra letra)...
Nota: Texto escrito em Dezembro.1996
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Quadro de tarefas
Num dos últimos fins de semana em que esteve cá em casa, a neta mais velha, com nove anos, foi para o computador, como é seu hábito. Passados uns quinze minutos, apareceu com uma folha A4, impressa na parte superior, e afixou-a na porta do frigorífico com quatro ímans.
E, depois, convocou uma assembleia geral para nos mostrar isto:
Apontou para a folha A4 e disse-nos que o “s” da palavra “tarefas” saiu da impressora noutra folha e que, por isso, tinha acrescentado um “s” á mão na folha afixada. E disse-nos ainda que, a partir daquele dia, aquelas eram as nossas tarefas.
Fartámo-mos de rir com aquilo. A minha mulher ‘resmungou’ logo: “Então, sou só eu a tomar conta dos netos?”. E, depois, o que mais nos chamou a atenção foi a expressão usada numa das tarefas: ‘fazer o comer’. Ainda estamos para saber onde é que a miúda a foi buscar. Cá em casa não foi de certeza, nem em casa dos pais. Mas é uma expressão utilizada em algumas zonas aqui do Porto e em outros locais do Norte. Terá sido com os outros miúdos da escola. Talvez…
Bamos lá fazer o comer, carago!