segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Quem quer... escreve!

Ó menino,

Istou a iscrever êste vilhête a pidido do sinhor seu pai, purque êle num sabe iscrever dereito e tamvém já istá um bucado intratode nos anos, coitado, inté ónte inda istaba mais ô menos, más ôje deu-le achim a módos duma macacôa, às tantas foi da cumuçom á pagar as belas, sábe as belas éram tantas, tantas, tantas, cu bolo num chigaba pró ispasso de tantas belas, i óspois êle fêze muito isforsso prá pagar as belas quinté assuprou pru cima e pru baicho, êle inté ficô a módos quenbergonhado, más, coitado já muito fáze êle purque inda bai lendo o cu menino bai mandando, intom agóra bou-le diser o cu sinhor seu pai mamandou diser-le, intom é achim, o sinhor seu pai arreceveu a minssajem do menino, más êle dissemamim cu papel num chigô á beira dêle, êle têbe de lêre a minssajem no cumputadôr, êle dissemamim qui sicalháre o papel a módos qui ficô ingasgádo nos cábos quêles som muito istreitos pró papel pasar dereito, êle tamvém dissemamim cas imájes eram muito bunitas, gustô muito, êle inté medisse quistá apinsar xamar um viscateiro de trôlha pra pintáre uma parêde da sála ingual a uma quêle biu lá, êle tamvém medisse cabia umas lêtras muito pequerruxinhas quêle num cunseguiu lêre más cás tantas é dos óculos dêle qui sicalháre istom a pricizar dumas lêntes milhores, cós dispois o menino ixplica a êle as lêtras pequerruxinhas cándo bier cá pêlo Natále, êle dissemamim quéra milhor agóra fexar êste vilhête purque já istá cheiu de sôno, purque amanhá é dia de picaboi, qué cumo quemdiz, êle amanhá de manhá bai júgar cuma coisa na mão e cumas bólas amarélas, isto num foi êle qui mandou diser sou eu quistou a diser ao menino, êle dissemamim pra pôre no fim dêste vilhete umas palábras inguais às coisas quêle pôi nos vilhêtes qui custuma mandar pró menino, e disseme pra imendar os anos pra sissenta e um, e disseme pra pôr tamvém o inderesso do bilogue dêle quistaba iscrito cuma isferográfica num bocado do jornal da simána passáda, o sinhor seu pai disseme cantes de fexar êste vilhête é pra êle mandar muita saúdi e muitos beiginhos pró menino e prá menina.

Do sinhor seu pai.

2 comentários:

nana disse...

o pobre assalariado revela uma estranha mistura de negro com um fulano das Beiras!!Não se revela muito competente no discurso!!
;)
hehe!!

albuquerque disse...

pior que este fulano na escrita só a Carolina Salgado!!
;)