quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Aí vem o 2010!



Bom Ano Novo!



[... e fazei por ser felizes!]

domingo, 27 de dezembro de 2009

Desafio de manias?... hmmm


Fui desafiado. Sim, é verdade! Não para um duelo de capa e espada, mas para falar de cinco das minhas manias. Quem teve tal ideia foi a cachopa do
mira céus. E não satisfeita com o desafio, ainda me apresenta estas regras:

"Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento. Cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blogue."

Ora bem, como ainda me considero um cachopo para embarcar nestas aventuras, aqui vou eu [... de bicicleta, que adoro!]. Mas antes quero prevenir-vos que as manias cá-do-egas são muitas e para diferentes gostos, há várias por cada polegada do lcd do portátil e ainda posso relacioná-las com pecados capitais [... dos quais se diz que são pecados mas sabem bem!]. Acho até que, com uma ou duas das minhas manias, alguém ainda me arranja um livre trânsito para ser internado no Conde Ferreira, aqui mesmo ao lado de casa. :-)

Mesmo assim, e limitando-me apenas às cinco impostas pelo regulamento, aqui vão:

1ª Quando ando de carro, nas ruas da cidade ou na estrada, observo as matrículas dos outros automóveis. E, então, lá aparece a mania: instintivamente, faço somas ou adições com os números [esta associo-a à vaidade, pois fico muito "vaidoso" de fazer contas sem o auxílio da máquina de calcular...];

2ª Nas compras da minha roupa interior, os boxers têm de ser azuis escuros e... ponto final! [aqui é a luxúria a mandar bitaites, dado que, com roupa daquela cor a confortar-me os "entrefolhos", sinto-me lascivo, sensual... enfim, tretas!];

3ª Outra mania, e esta já tem fama que vem de longe, como o brandy Constantino [às tantas, quem é das gerações recentes não sabe do que estou a falar...], é chegar atrasado a compromissos. É verdade! E nessas ocasiões, raios me partam, até fico furioso comigo próprio... [este "mau hábito" está muito ligado à preguiça, pois claro!];

4ª Chocolates?... Não me faleis nisso! Até tenho vergonha, mas a verdade é que não posso ver os chocolates inteiros: como-os, engolo-os, devoro-os... até só ficar a embalagem. E muitas vezes, nos supermercados, tento não passar junto das prateleiras onde estão expostos para não me tentar [e se esta mania não está irmanada com a gula, então já não digo nada!];

5ª Gosto imenso de ténis. E tenho a mania que jogo razoavelmente [mas ao ver, na televisão, o Federer a jogar ténis, com toda a sua classe, até fico roído de inveja...].

E pronto, até aqui nem doeu muito. E, por isso, lanço o desafio para:
-
a nana das tralhas
-
a jacky do amorizade
-
a senhora do caldeirão
-
o eira-velha das memórias
-
a gigi da verdeágua

FIM :-)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Muesli Cltv. -> 10 anos


A não perder. Hoje, após as 23h, no Passos Manuel Club - Porto.







[... e para Maruti 1100, Jettoki e Miuk, os meus parabéns!]

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Boas Festas!
















Feliz Natal

[... e que o Natal seja quando cada um quiser!]









Nota: Presépio da autoria de Maria Amélia Carvalhal

sábado, 19 de dezembro de 2009

E covinhas no mar... há?



Tantos contentores!... Tanta carga que vai e vem!... Tantos mares de lá e de cá que os avistam!...

E covinhas no mar... há?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Felicidade!



Hoje de manhã fui a mais uma aula de Pré-Yôga [classe preliminar ao Yôga propriamente dito, de acordo com o método DeRose].

Aquela aula foi dedicada à "abertura da felicidade". Explicitando a expressão, trata-se de um conjunto de ásanas [técnicas corporais] dirigidas essencialmente à flexibilidade da área pélvica.

No fim de cada sessão idêntica à de hoje, sinto que fico mais flexível naquela zona do corpo, embora não tanto quanto desejaria dado que a "pdi" atrapalha um pouco... Mas também sinto que fico mais completo como pessoa, mais feliz! E isto é devido à envolvência das aulas e à companhia simpática da instrutora e dos outros praticantes.

SwáSthya!



Instrutora Sónia Monteiro, da Unid. Antas - Porto

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Há "fogo"?...



Tlim!Tlôm!... Tlim!Tlôm!... Tlim!Tlôm!...

Toca a rebate o sino da capela da aldeia. E o povo daquele sítio serrano, perto de duas dezenas de almas, corre aflito para lá a fim de saber o que se passa.

Um dos primeiros a chegar é o Ti Berto, homem dos seus sessenta e poucos anos, porque tem uma hortazita mesmo ao lado da capela. E é o primeiro a ter conhecimento da razão daquele alvoroço. E é também quem sossega a ansiedade manifestada nos rostos daqueles aldeões, todos seus conhecidos.

- Carma, meu pôbo! Há "fogo" mas o padre Elias tá a tratar d'o apagar! Ide imbora às bossas bidinhas!

Mas, palavra puxa palavra, o Ti Berto lá se descaiu a contar o que tinha sabido minutos antes da boca do sacristão.

É que a Maria Felizarda, mulher do sacristão, andava já há uns tempos com um "fogo" intenso entre as pernas. E o pároco da aldeia tratava de o apagar sempre que a ocasião se proporcionava. Só que naquele dia, em que tinha havido mudança de hora na noite anterior, o sacristão não se lembrou desse pormenor e foi tocar o sino uma hora antes do previsto. E ao entrar na sacristia, reparou que o "fogo" da mulher estava quase extinto!...



Nota: A imagem foi obtida no blogue
celulabf.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Dieta "à portuguesa"?...





Neste cantinho à beira mar plantado, a solução para resolver o problema da obesidade parece ser simples. Para reduzir os quilos a mais dos "nossos" obesos, basta que eles passem a comer as refeições principais fora de casa.

É que, de facto, em quase todos os restaurantes pode-se assistir a cenas deste género:
- após analisar a "carta", o cliente manda vir um bom bife com batatas fritas e uma garrafa de maduro tinto;
- minutos depois, chega o empregado com a garrafa e diz, todo sorridente: - Aqui está o seu vinhinho!
- um pouco mais tarde, o empregado coloca na mesa um prato com um grande bife do vazio e batatas fritas até "dar com um pau" e diz, todo prazenteiro: - Aqui tem o seu bifinho e as suas batatinhas!

Com estas doses "reduzidinhas", os "nossos" gordinhos ficarão todos elegantes. Certo?



Nota: A imagem foi obtida no blogue a ciência.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Isto dos "camelos"...



Ontem, num canal de tv, vi um documentário acerca dos camelos. Dos verdadeiros. E, então, lembrei-me deste cantarolar:
- Se um camelo incomoda muita gente
- Dois camelos incomodam muito mais!
- Se dois camelos incomodam muita gente
- Três camelos incomodam muito mais!
...
- Se mil camelos incomodam muita gente
- Aqueles "camelos" da face oculta incomodam muito mais!


E isto com o devido respeito pelos camelos. Pelos verdadeiros, claro!


Nota: A imagem acima foi obtida no blogue piratas do crysis.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

3 anos!


Faz hoje três anos que este blogue apareceu. E apesar da pouca publicação de textos durante este terceiro ano, principalmente nestes últimos meses, fica aqui manifestada a minha vontade de continuá-lo por mais um ano, pelo menos.

A todos vós, bloguistas, que trazeis a vossa simpatia até este espaço, o meu imenso obrigado!



Fernando Oliveira

domingo, 2 de agosto de 2009

De regresso ao sítio!


Duas datas do calendário deste ano [não escolhidas ao acaso]: 09/05 e 02/08.

Duas datas que, reportadas a este sítio, apenas significam isto: o dia em que foi publicado o último post e o dia de hoje [de notar que, após a publicação deste post, aquele passará a ser o penúltimo e o de agora o último - isto enquanto não houver mais posts].

Duas datas que, entre si, estão distanciadas por 85 dias. Ou por 2.040 horas. Ou então por 122.400 minutos. Ou ainda por 7.344.000 segundos [... e fico-me por aqui, porque não tenho espaço para apresentar este período de tempo transposto para nanosegundos, pilosegundos ou cagagesimosegundos].

Ou seja: foram mais de sete milhões de segundos de "silêncio" neste blogue. Já chega! Toca a fazer "barulho"! É tempo de "refrescar" este sítio!



sábado, 9 de maio de 2009

E que sonhos eram esses?



Olhos nos olhos, sorrisos imensos, abraços puros e ternos, vontades em aproximação de ritmos, céus extensos para colorir de azul, palavras que o vento não leva, buscas prenhas de curiosidade, redescobertas de ânimos esquecidos no passado longínquo, labirintos de sentimentos belos e doces, mensagens enroladas em ciclos e contra-ciclos, correntes de desejo em crescendo no espaço e no tempo, calendários da vida com formatos diferentes a imporem a marcha dos seus dias.

Sonhos interrompidos. E que sonhos eram esses?


quarta-feira, 6 de maio de 2009

Proibido amar?






Será que o amor não pode "estacionar" por ali?... Ou alguém "encontrou" um beco sem saída para o amor?... Será que querem proibir o amor?...

Não... não acredito!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Kind of Magic



Há dias tive o gosto de assistir, no Forum Cultural de Ermesinde, ao espectáculo "Danças do Mundo", realizado pelo grupo Kind of Magic.

Foi em 29 de Abril para comemorar o Dia Internacional da Dança. Que espectáculo lindo! Lindo pelas coreografias das danças, pelas músicas, pela execução de todos os que exibiram a sua técnica e a sua arte no palco.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Assobio à lua...




Ao tempo que não assobiava!...

Já nem me lembro daquele tempo. Tinha por hábito assobiar quando a harmonia das relações, o sossego do dia-a-dia e a paz interior eram quase uma constante em mim. E, aí, começava a assobiar logo pela manhã, no duche, e continuava pelo resto do dia, desde que não incomodasse os outros, até porque eram fracas as minhas qualidades para trautear músicas por assobio.

Mas, hoje, ao lusco-fusco do fim do dia, deu-me vontade de assobiar. Não resisti ao ver o pequeno ponto de luz da lua a pousar no mastro das bandeiras. E, então, assobiei à lua...

sábado, 2 de maio de 2009

Margens






Margens que afastam pessoas, que distanciam terras. E que as águas do rio, uma vezes calmas no seu vagar para chegar à foz, outras mais apressadas para alcançar esse destino, se encarregam de ligar, de estabelecer contactos de aproximação.



- Ó Ramiiiro!

[chamemos-lhe assim, com esta distância de anos não me lembro do nome do homem]

- Ó Ramiiiro! Ó Ramiiiro! continuava aquele chamamento em forma de berraria, das bandas de Esposade para a margem em frente. Era a minha avó Quitéria, com as mãos em concha junto da boca, a chamar pelo barqueiro, que momentos depois respondia numa voz arrastada
- Já vouuu!
e, após uma espera de alguns minutos, lá aparecia uma barcaça enorme,

[enorme e atraente para mim, um catraio de oito anos para quem, habituado à cidade, ali todas as coisas eram novidade]

com a madeira do casco envelhecida pelos anos e gasta pela correnteza, vinda da margem sul, com o Ramiro a manobrar os dois remos e a encostar a terra de estibordo para os viajantes, a minha avó e eu, podermos galgar a altura do costado. E lá íamos com destino à outra margem. O barqueiro, na sua tarefa de levar o barco para o outro lado. Eu, feliz e despreocupado, a ver o barco a deslizar pelas águas calmas, naquela manhã de verão, de sol acolhedor. E a minha avó, a olhar o carrego das passadeiras

[tecidas pela minha bisavó Ana no tear situado no piso térreo da casa de aldeia onde o meu pai nasceu e cresceu]

que levava ali para satisfazer as encomendas de clientes de Crestuma, na margem sul do Rio Douro.






[recordações da minha infância e das férias escolares - férias grandes, como se dizia - gozadas na terra do meu pai: Jancido, Foz do Sousa]

Nota: A foto foi obtida de Caldas de Aregos para a margem norte do Rio Douro e, portanto, não diz respeito à zona a que se reporta o texto. Mas como não tinha outra mais apropriada para servir de "boneco" para este post...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Pedra Filosofal







Como sei que estás aí!
[e é tão bom sabê-lo!]
Como sei que posso contar contigo!
[e é tão bom sabê-lo!]
E como gosto imenso desta canção, dedico-a a ti, que tens um peixe que um dia sonhou voar... e voou!

:)

sábado, 25 de abril de 2009

Aqui a tens!






Sim, esta rosa é para ti. Neste dia, seria mais apropriado oferecer-te um cravo vermelho, mas não encontrei um a jeito. Contudo, esta rosa está impregnada com a mesma intenção, com o mesmo aroma da amizade.

Aqui a tens!





[mas... não sabes que é para ti!]

sábado, 18 de abril de 2009

Antes que te magoes...






Parece que és do tamanho das árvores lá ao fundo. Mas toma cuidado, não te ponhas a pregar aos ventos que te sacodem que já és grande. É que a perspectiva em que te encontras é bastante enganadora. Antes que te magoes, desce à terra!...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

E se a moda pega?...



Acabei de ler esta notícia no
Público e pensei, para os meus botões, propor cá em casa um solução idêntica.

Apenas a troco de € 2,00 para se inscrever no concurso [e o valor até é inferior ao indicado aos apoiantes de Bill Clinton], qualquer dos participantes poderá ganhar um dos prémios, entre os quais se salienta a possibilidade do vencedor passar um dia comigo [acho que, depois, vou aldrabar a atribuição dos prémios de modo a que o vencedor final seja uma vencedora... ahahah].

Creio, convicto, e tendo em conta a afluência diária a este blogue, verdadeiramente astronómica, que isto vai resultar. E creio ainda que as receita das inscrições menos as despesas dos prémios menores [como é evidente, eu próprio não tenho preço, sou inegociável... ahahah] dará um superavit estrondoso, o que me permitirá pagar as dívidas [também as tenho, claro!].

E a moda até pode ser que pegue. É que andam por aí tantos créditos mal parados!...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Não sei se te perdi





Não sei se te perdi. Olho, apreensivo, aquelas nuvens escuras que fogem rapidamente no céu cinzento.

Apesar dos meus esforços, não consigo ler nelas qualquer mensagem tua. E das duas uma: ou não me disseste nada através delas ou, então, não sei decifrar o código das tuas palavras.

Mas pressinto que te perdi. E se te perdi, sei que algo se perdeu em mim. Como hei-de ter a certeza?...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Aconteceu em Hyde Park






Era Verão. O tempo estava soalheiro, com temperatura amena. E as milhares de pessoas que circulavam naquele fim de tarde de sábado pelo Hyde Park, em Londres, certamente que desfrutavam daquele sítio de modos diversos. Umas passeavam pelos caminhos longos do parque, outras jogavam à bola ou piquenicavam nos relvados bem tratados. Mais umas quantas, a maior parte jovens, deitadas na relva, davam largas aos seus sentimentos através de abraços e beijos. E outras ainda deambulavam pelo espaço do Speaker's Corner, à espera de oradores.

E é naquele espaço que a cena se desenrola. Um homem, quarentão, talvez a rondar por metro e oitenta de altura, com bom aspecto físico, caminha em direcção à referida zona, sem pressas. Traz consigo, debaixo do braço, um pequeno escadote metálico. A certa altura, pára, assenta os pés do escadote no chão, abre os seus três degraus e sobe-os até ao topo. E, então, começa a falar, a tentar captar ouvintes.

No início, a sua audiência resumia-se a um casal de meia idade. Mas, com o correr dos minutos e o interesse do tema, já duas dezenas de pessoas rodeavam o orador. E este falava, com entusiasmo, dos casamentos entre mulheres e homens. Convicto, afirmava ser adepto incondicional deste tipo de casamentos e, por isso, expunha os seus argumentos quanto às virtudes e propósitos dos mesmos, dando até como testemunho a felicidade que sentia com o seu próprio matrimónio que durava há mais de vinte anos. Diria, depois, não dar valor aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo [casamentos entre aspas, ironizava ele] e que parecia estarem agora muito na moda.

É nessa altura que alguém da assistência se manifesta. Trata-se de uma mulher de estatura média, quarentona quase a passar para o nível seguinte, com um rosto redondo, agradável à vista, e um corpo onde se nota que a cintura alinhou com os ombros e com as ancas. Estava de mão dada com outra. Esta era um pouco mais alta, talvez com quarenta feitos há pouco, de rosto giro e um corpo bem torneado nas suas curvas. Pelo jeito da mão dada e pelas carícias que ali já se proporcionaram uma à outra, poder-se-ia afirmar, sem medo de errar, que estas duas mulheres são lésbicas.

Dirigindo-se ao orador, a primeira delas refere, então, que aquilo tudo que ele tinha dito não passavam de balelas sem qualquer sentido. E adianta que foi casada com o pai dos seus dois filhos durante vinte anos, mas que, apesar disso, não guardava boas recordações desse tempo. Agora, e desde há cinco anos, está a viver uma nova relação com a sua companheira e sente-se feliz como antes nunca tinha sido. Apanhando a deixa, a outra decide também dizer alguma coisa. Afirma que casou aos vinte e três anos com um homem, mas que o casamento não chegou à dezena de aniversários, devido a razões várias que, agora e ali, não vinham ao caso. Diz ainda que não teve filhos, ao contrário da sua companheira, mas que, como ela, também não fôra feliz com o primeiro casamento. Adianta que agora sim, que encontrou a felicidade com este novo amor. E remata dizendo que a relação com a actual companheira é para durar.

O homem, de pé no cimo do escadote, ouve-as durante aqueles minutos sem as interromper. Mas, logo que a mais nova parou de falar, aponta um dedo indicador na direcção das duas amigas e diz-lhes, em tom trocista:

- Quereis saber porque razão os vossos casamentos anteriores falharam?... Foi porque vocês não casaram comigo. Com umas boas quecas vocês não teriam acabado com os vossos casamentos...

As duas companheiras resolvem não ouvir mais. Rodopiam nos calcanhares e vão-se embora, mas, antes, a mais velha ainda resmunga em volta alta:

- Vai-te foder!...




Nota: A imagem acima foi obtida na Wikipédia.

terça-feira, 14 de abril de 2009

A minha tropa [2]


Guiné -> Guidage -> Nov.68 a Fev.69 [1]



Corria o mês de Setembro/68, na altura dava formação a recrutas em Vila Real, quando tive conhecimento da minha mobilização para a Guiné em rendição individual. E foi também deste modo que a mobilização saiu em sorte à maior parte dos meus camaradas de especialidade, todos eles colocados de norte a sul do país em diversas unidades militares. Com mais cinco ou seis, que, entretanto, foram deslocados para outros destinos ou funções, tínhamos feito parte do pelotão de RecInfo, em Tavira, durante o último trimestre do ano anterior.

Após uma viagem de cinco dias a bordo do Uíge, eu e os outros vinte e poucos daqueles camaradas, promovidos a furriéis milicianos por antecipação, por força da mobilização para o Ultramar, desembarcámos em Bissau na tarde de 28-10-1968.

Foi-nos dada formação militar específica durante duas semanas no SIM/CTIG em Bissau, com vista à criação de uma rede do serviço de informações por toda a Guiné. Findo esse período, tomámos, então, conhecimento dos sítios para onde cada um de nós seria deslocado, sendo notório para todos que a separação operacional do grupo começava naquela altura.

A mim, calhou-me ser enquadrado no destacamento de Guidage, situado no norte, junto da fronteira com o Senegal. Aos meus camaradas saiu-lhes a colocação individual em vinte e tal aquartelamentos ou destacamentos das nossas tropas na Guiné.

Um ou dois dias depois daquela comunicação, fui transportado, de manhã cedo, ao aeroporto militar de Bissalanca, perto de Bissau. E passado pouco tempo estava instalado dentro de um Dakota para um voo até Farim. Fiz a viagem sentado num dos bancos de cordas, existentes de cada lado do interior do avião.

Após a aterragem no campo de aviação de Farim e feitas as habituais diligências de apresentação ao respectivo comando, foi-me dito que a coluna militar para Guidage sairia apenas na manhã do dia seguinte. Nessa noite, se me recordo bem, fiquei instalado num barracão ou num hangar junto do aeródromo. E pela primeira vez tomei contacto com a realidade dos mosquitos na Guiné, que atacam em força e de qualquer jeito. Como no sítio não havia mosquiteiros, a alternativa foi a utilização do Lion (1) durante toda a noite.

Com uma noite mal dormida, na manhã seguinte apresentei-me junto do militar responsável pela coluna que ia sair de Farim. E não refiro que ia sair para fazer o trajecto de Farim até Guidage, pois recordo vagamente que o destino final do grosso desta coluna foi outro e que, pelo caminho, num cruzamento de picadas (2) estava à nossa espera uma coluna vinda de Guidage. Mas, como digo, a esta distância de 40 anos, a lembrança não é firme (3). Recordo ainda que a coluna saída de Farim era composta por um comboio extenso de viaturas, com vista ao transporte de militares, civis e abastecimentos diversos. Na cabeça da coluna e um pouco distanciada das restantes, creio que seguia uma viatura anti-minas, precedida de soldados a picar o caminho para detectar minas enterradas no chão. Não me lembro quantas horas demorou esta deslocação terrestre, nem sei se avistei Guidage ainda naquela manhã ou se a tarde já tinha avançado.

O certo é que cheguei ao destacamento de Guidage. Em que dia?... Não me recordo, sei apenas que estávamos em Nov/68.



Notas:
(1) Aquele nome era a marca de um produto, de cor verde, formatado em tiras finas e em espiral, que se colocava em cima de uma pequena base metálica. Queimando-se a ponta exterior da espiral, então, o produto ardia lentamente e deixava o ar impregnado de um odor que afugentava os mosquitos.
(2) Designação dada aos caminhos ou trilhos de terra, que serviam de acesso entre povoações e/ou instalações das nossas tropas ou do inimigo. Uns mais largos, outros mais estreitos, todos de difícil trânsito, quer pela possibilidade de colocação de minas por parte do inimigo, quer pelos efeitos alagadores da época das chuvas.
(3) Neste texto, como em outros que tenciono escrever a respeito da minha tropa na Guiné, há certas imprecisões acerca de alguns factos ou de datas. E agora não os posso confirmar, porque, devido às voltas e reviravoltas da minha vida pessoal, já não existem as centenas de cartas, aerogramas e fotos que enviei de lá durante dois anos.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

E onde está a verdade?...





De tanto procurada, afinal onde está a verdade?...

domingo, 12 de abril de 2009

A tua marca é...



Não sei onde li que os pintores acabam sempre por se repetir. Repetem-se nos traços, na busca de cores e de tons, nos modos das abordagens, embora os temas possam ser diferentes de uma obra para outra. É que, dizem os entendidos, a marca do pintor está sempre lá, sente-se na expressão da pincelada, nota-se em cada quadro. Será ssim?...

É possível que seja como eles dizem. Não possuo bases nem conhecimentos específicos [e, às tantas, alguns dos entendidos também não...] para acompanhar ou afastar-me daquelas posições.

Mas... o que sei, sei-o! E sei que a tua marca, a que deixaste em mim, é única e não se pode apagar. Nem tão pouco a confundo com outras que foram sinalizadas em mim ao longo dos anos. Neste tema, sei que sou entendido. E, com toda a certeza, não há outro que a reconheça, a veja ou a sinta. Apenas eu!...

sábado, 11 de abril de 2009

E as emoções fizeram o resto...


Ontem à noite meti-me a caminho pela autoestrada da blogosfera e só parei em Aveiro. Rumei de imediato à única padaria que utiliza a verdadeira farinha amparo. Estava por lá a padeira de serviço, a Didas. Fui encontrá-la ainda na ressaca de um ataque de nostalgia sofrido no dia anterior. E ainda bem, digo eu.

E digo ainda bem porque, desse modo, tive a oportunidade de saborear quatro mimos que lá estavam [e ainda estão] à disposição de quem por lá passa e de borla. A saber, pela ordem que nos aparecem:
-> O que faz falta, do Zeca Afonso
-> Eu vim de longe, do José Mário Branco
-> Gaivota, da Ermelinda Duarte
-> Quatro quadras soltas, do Sérgio Godinho


São quatro canções que conheço há muitos anos, mas que me dizem muito. E que, ao ouvi-las, fizeram-me sentir bem, mexeram com a apatia em que me enredei nestes últimos dias. De auscultadores e olhos fechados, aquelas músicas e aquelas palavras inebriaram-me, tiveram o condão de me fazer recuar trinta e cinco anos. E, então, as emoções e as recordações daqueles tempos soltaram-se, vieram por ali fora, deram-se as mãos, tomaram conta de mim, rodopiaram em mim. Mas, com tudo isto à solta, os seus efeitos não demoraram muito. Era a companhia suave da descarga emocional, as comportas dos olhos abriram-se de par em par e as lágrimas caíram-me pela cara abaixo... Lágrimas ou recordações? Não sei dizer, não as distingui bem, às tantas eram lágrimas e recordações a desabarem juntas por ali abaixo... Mas, no fim, estava feliz, de bem comigo próprio e, creio, de bem com os outros...

Deixei um comentário no post da
Didas, mas não me referi aos efeitos da descarga de emoções. Não foi por vergonha ou para não me considerarem um lamechas. Não, não foi por isso. Foi apenas porque aqui, no meu sítio, sinto-me mais à vontade em desabafar, em expressar o que sinto, o que me faz feliz ou o que me torna triste.

Para ti, mais uma vez: obrigado, Didas!

E nos dias que correm, talvez sempre, é necessário lembrar que, como diz o Zeca Afonso, "o que faz falta é acordar a malta..."

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Os olhos... sim!


O que atrai mais o meu olhar, desde logo, são os rostos. De mulheres, entenda-se. Podem não ser de capa de revista. Nem todos o são. Mas há muitos rostos bonitos, simpáticos, com um sorriso nos lábios. E são estes os que mais gosto de olhar.

E depois, os olhos. Sim, os olhos, o seu formato, a sua cor, o seu brilho. Olhos grandes, olhos mais pequenos. Olhos azuis, olhos verdes, olhos castanhos. Olhos com brilho. Gosto imenso de ver o brilho nos olhos. Dá-me a sensação de olhos de quem é feliz, alegre, que está de bem com a vida.

É esse o primeiro impacto do meu olhar com uma mulher. De início, o rosto e, logo de seguida, os seus olhos. É uma atitude institiva, inconsciente, involuntária. E que acontece com a mulher que está a conversar comigo ou com a que vai ali sentada em frente no banco do metro. Ou ainda com a mulher que se cruza comigo no passeio. E é por via desse meu primeiro olhar que nasce a empatia com as mulheres com quem me tenho relacionado ao longo da vida. Da minha parte, é com certeza. Das mulheres, por vezes, não!...



Nota: A imagem foi recortada de uma foto de um quadro da Inha.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Acontece [quase] sempre...


O que é que acontece por acaso, sem a nossa vontade?... Não sei, acho difícil dar uma resposta completa porque há tantas coisas que sucedem sem serem decididas por nós de forma consciente.

O acaso acontece em milhares de situações da vida. Ou, melhor, em qualquer acto da nossa vida. Quer seja uma vida curta ou mais longa. Podemos deparar com o imprevisto em cada virar de esquina, ou após qualquer decisão que tomamos. E [quase] sempre não nos apercebemos disso antes de acontecer. Ou, então, não seria uma situação de acaso.

E o amor? Também acontece por acaso?... Certamente que sim. Ou melhor, creio que sim. Como o amor faz parte da nossa vida, também acontece [quase] sempre de forma fortuita, sem nos darmos conta. Umas vezes surge-nos de supetão, logo à primeira vista, como um flash que nos encandeia os sentidos. Outras vai-se entranhando em nós, como uma massagem a assenhorear-se da pele, lentamente, com suavidade. E é [quase] sempre lindo quando o amor acontece!...

Até as rochas da praia são formatadas ao acaso pelo bater desenfreado das ondas e pelas rajadas do vento. A vida é assim, cheia de imprevistos...


quarta-feira, 8 de abril de 2009

As casas e o frio


De acordo com o JN de hoje, uma investigação realizada por especilistas da Universidade de Dublin, através da comparação dos dados de 14 países europeus, refere que
Portugal é um dos países da União Europeia onde mais se morre por falta de condições de isolamento e aquecimento nas casas.

Ao contrário, alguns países com invernos rigorosos, como a Finlândia e a Suécia, apresentam níveis exemplares de eficiência térmica no interior das casas, que, na sua totalidade, têm vidros duplos e isolamento térmico nas coberturas, paredes e pisos.

No ano de 2003, altura da publicação do estudo, em Portugal apenas 6% das casas tinham isolamento térmico nas paredes e coberturas e só 3% tinham vidros duplos.

Dá para pensar, não?

terça-feira, 7 de abril de 2009

Fico "arrasado"...


Ouço-os a brincar, em grande algazarra. Ao Tiago e ao Zé, um amigo dele com mais um ano. Estão no quarto que o neto, de quatro anos, diz ser o dele.

Há pouco ouvi-os a barafustar um com o outro. Fui lá ver o que passava. Tinham alinhado, em fila indiana, dois sofás insufláveis, individuais, de criança. Para fazer de conta que era um autocarro.

Mas parece que um dos miúdos [ou o outro, quem sabe?] se esqueceu do combinado cinco segundos antes. Um deles seria o motorista, o outro o passageiro. E agora ambos queriam ir à frente, cada um queria ser o condutor. Como não chegaram a acordo, vai de desfazer o "faz de conta" e toca de arremessar os insufláveis um ao outro.

E eu, ao ver aquela cena, a aconselhá-los para terem cuidado, para não se aleijarem. Resmunga, então, o Tiago, como a querer dizer-me que não entendo nada destas coisas:
- Ó Nando, estes sofás não aleijam! Não vês que são de plástico?!...

Apenas lhe respondi, um pouco tímido, com um "ok!". É que fico "arrasado" com estes argumentos...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

E depois vem a noite...


Gosto do dia. Mas deixo o dia acabar. É que, depois, vem a noite. E também gosto imenso da noite.

Sim, gosto da noite. Não necessariamente a[s] noite[s] de boémia. Destas já houve o seu tempo. Mas nunca foram a regra. E de excepções ainda vou gostando. E ainda vou aguentando. Mas, sim, gosto da noite. Com calma, sem pressa, a escorrer o seu tempo, devagar. Até já não ser noite. Até ser dia. É que, mais logo, virá outra noite.

Diz-se [ou, melhor, diziam-me os mais velhos] que a noite é má conselheira. Não acho. Nunca achei. Até agora convivi bem com a noite. Muitas vezes, toda a noite. E nunca me perdi. Nem a noite se esgueirou de mim. E sempre esteve comigo de uma forma suave e meiga. Como uma companheira, amiga ou amante. Do modo que eu gosto...




domingo, 5 de abril de 2009

Mudanças... talvez!


A propósito dos dois textos relativos ao desafio ali em baixo [e de outros que coloquei desde o início do blogue], acho que necessito de ser comedido nas palavras. É que, reconheço, muitos deles são extensos. Com tretas a mais. Que levam tempo em demasia a serem lidos. Tempo precioso para quem se enredou no corre-corre do dia-a-dia. E que talvez sejam maçadores para quem aqui chega.

Deixo-me levar pela inclusão de descrições e de detalhes que aumentam as linhas do texto e que, quase sempre, poderiam ser dispensados. E a sua falta não comprometeria a compreensão do que pretendi transmitir, quer tenham sido factos, ideias ou parvoíces. No fundo, é como se alguém pretendesse ir das Antas à Foz e, para isso, fosse para sul pela Via de Cintura Interna, tivesse atravessado para o lado de Gaia pela Ponte da Arrábida e, depois, voltasse ao Porto pela Ponte D. Luís, tomass e o rumo da Âlfandega e, então, percorresse a marginal até à Foz. O passeio é agradável [desde que não seja feito em horas de ponta], mas nada interessa a quem quer ir apenas das Antas até à Foz.

E, deste modo, talvez hajam mudanças na feitura dos posts futuros. Há, pelo menos, o propósito que sejam mais curtos e directos [mas, por motivos óbvios, este ainda não conta...]. Até porque, assim, talvez me permita atingir o objectivo de, até ao final deste ano, publicar o post com o número 1.000.000 [aos primeiros duzentos já cheguei...].

A ver vamos, tá?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Há ocasiões assim...


Ontem à noite, quando estava a escrever o post anterior, tinha pensado utilizar cores para duas palavras: azul para verdade e castanho para mentira.

Mas não o consegui. Dei voltas e reviravoltas aos modos de edição e... nada!

Agora, de repente, descobri o que ontem estava errado. Mas foi só agora, quando o post já foi publicado. Isto faz-me lembrar as alturas em que procurámos um objecto do qual perdemos o tino e, passados uns tempos, lá o encontramos... quando já não é necessário.

Por vezes, há ocasiões assim...

Ufa, até que enfim!...


Antes de me lançar no deslindar das verdades e das mentiras colocadas no desafio do post anterior, desejo:
a) referir que a minha opção de efectuar um sorteio [é que fiz mesmo um sorteio com fichas numeradas...], para determinar os desafiados, foi quase um fiasco. Por minha culpa, claro! É que, dos nove sorteados, cinco não tiveram a gentileza de me endereçar uma palavra [em abono da verdade, também não eram obrigados a isso, mas...]. Fica este registo para eu não voltar a cair no mesmo erro.
b) manifestar o meu apreço e o meu muito obrigado às quatro bloguistas que aceitaram o desafio, bem como às restantes que, não tendo sido desafiadas, também deixaram os seus palpites.
c) expressar, a cada uma das bloguistas a que me refiro na alínea anterior, a minha amizade através de um olá, de um sorriso e de um abraço.

Agora, e tendo em conta o tempo decorrido após a publicação do post, pode-se dizer que a verdade pode demorar, mas o certo é que vem [quase] sempre ao de cima. Daí que, sem mais demoras, vou passar a referir-me às verdades e às mentiras daquele desafio.

Então, vamos a isto:
1. A ideia surgiu-me com uma história que tem mais de vinte anos. Uma das sobrinhas, na altura com oito ou nove anos, suspeitava e dizia lá em casa que eu usava capachinho. Até que um dia, não tive outro remédio e deixei-a puxar-me o cabelo com toda a força. E como não lhe apareceu uma careca, então as dúvidas da pequenita dissiparam-se de vez. Até hoje. Daí que esta é mentira, ok?
2. Esta é bastante óbvia [que falta de imaginação a minha!...], pois quase todas as pessoas que conheço gostam de ler livros e de ouvir música clássica. E, como não fujo à regra desses gostos, esta é verdade.
3. Desde os tempos em que, com dez anos, frequentei o ginásio da Soares dos Reis, no Porto, ficou-me sempre o gosto pela prática do exercício físico. E mais tarde, na tropa, uma das actividades que me dava mais gozo era a da ginástica, logo pela manhã. Há cerca de trinta anos comecei a ter aulas de ténis e, desde aí, é uma modalidade que pratico quase diariamente e com imenso prazer. Nos últimos anos, tenho participado em torneios do calendário oficial da F. P. Ténis, como aquele em que vou jogar neste fim de semana na localidade onde vim passar uns dias até à Páscoa. Portanto, esta também é verdade.
4. Não sei explicar porquê. Sei que não tem nada a ver com o facto de ser adepto do fêcêpê. E é certo que também tenho roupa de outras cores [caso contrário, a monotomia cromática do vestuário ainda seria maior...eheheh]. Mas, de facto, a minha tendência é para comprar roupa em tons de azul. Manias... Então, temos mais uma verdade.
5. Esta, creio, é outra das afirmações óbvias para muita gente. Gosto imenso de conduzir veículos [de quatro rodas, claro!]. E a condução pode ser por autoestradas, por estradas municipais ou por estradas que serpenteiam as serras. Desde que seja fora das grandes cidades, óptimo! Mais uma verdade, ok?
6. Os cigarros começaram a acompanhar-me a partir dos quinze anos. Hoje um cigarrito, uns dias depois outro. E voilá, vinte anos mais tarde, estava a fumar dois maços a dois maços e meio por dia. Era um prejuízo para o bolso e, pior de tudo, para a saúde [expectoração, cansaço, tosse]. Até ao dia em que tomei a decisão de deixar de fumar. Nos três meses seguintes foi preciso aguentar bem o leme do barco, pois a falta dos efeitos da nicotina no corpo fazia levantar ondas de ansiedade muito fortes. Depois, gradualmente, as águas do mar encapelado foram-se aquietando, aquietando, aquietando... E, assim, há quase trinta anos que não fumo [e, quando tenho oportunidade, aconselho fumadores, principalmente jovens, a deixarem de o ser]. E considero ainda que foi umas melhores decisões que tomei na minha vida. Portanto, em relação ao facto de não conseguir libertar-me do tabaco, temos aqui outra mentira.
7. A fotografia é um dos meus hobbies preferidos. E comecei relativamente tarde, pois apenas tive a minha primeira máquina aos vinte e cinco anos. Desde há muitos anos que fotografo tudo o que me atrai a atenção: as paisagens a perder de vista, as pontes com os seus arcos, os pôr-de-sol alaranjados no horizonte ou as teias das aranha orvalhadas pela manhã fresca. E nas reuniões de família, nos almoços ou jantares com amigos, nos encontros com os amigos de curso, lá estou eu a fazer o papel de paparazzi de meia tigela. E o que mais gosto é registar os rostos das pessoas, feições despreocupadas ou não, mas desprevenidas, sem pose. E, confesso, os modelos preferidos são os meus netos. Tenho fotos espectaculares dos rostos deles [as fotos são lindas, não pela perícia do fotógrafo, mas devido aos netos, pela sua inocência, pela sua doçura, pela sua naturalidade de crianças]. Portanto, verdade, tá?
8. Ora aqui está uma afirmação que, certamente, fez rir à gargalhada quem me conhece bem. De facto, para mim, os veículos de duas rodas são umas maravilhas da técnica de locomoção... desde que estejam nas mãos e nos pés dos outros. Porquê isto?... Há muitos anos, tinha eu sete ou oito, fui andar de bicicleta para o jardim da Praça Velasquez, no Porto [agora a praça tem outro nome] com alguns miúdos da minha idade. Depois de várias voltas, dei um trambolhão do caraças ou do carago, sei lá! [peço-vos desculpa pelas expressões, mas sou tripeiro], e esfarrapei as calças e os joelhos. E, quando cheguei a casa, lembro-me que a minha mãe, ao ver o meu estado lastimoso, ainda me esfarrapou bem o rabiosque com o que tinha mais à mão. Nunca mais voltei a bicicletar [este termo existe?...]. Mas a minha relutância às duas rodas não ficou por aqui. Alguns anos mais tarde, já eu era um espigadote com 16 ou 17 anos, aproveitei uma boleia de um amigo numa motorizada. E como atrás não havia suporte para os pés [aquela motorizada não foi produzida para tranportar duas pessoas], lá coloquei os pés, um de cada lado, nos suportes metálicos que se fixavam no centro da roda traseira. Mas, por imperícia ou por azar, o meu pé esquerdo resvalou para o interior dos raios da roda. Em segundos, o calcanhar do sapato ficou desfeito e logo depois foi o meu próprio calcanhar a ser raspado até ao osso. Ainda recordo com alguma impressão dorida os três meses que andei entregue aos cuidados de um enfermeiro a curar o calcanhar. Daí que, na minha mente, desde então ficou um registo bem marcante: duas rodas, nunca mais!... E, pronto, é a última mentira do desafio.
9. Gosto imenso de peixe grelhado no carvão e escalado [isto é, aberto ao meio, o que dá azo a menos tempo na grelha e permite que o peixe fique com uma textura mais tenra]. Para mim, o que há a salientar na receita que indiquei é o molho: azeite, alho e coentros. E foi assim que, há alguns anos, uma dourada me foi servida no Restaurante do Luís, em São Torpes [quem vai de Sines para sul, junto da central a carvão da EDP, desvia à direita em São Torpes com rumo a Porto Côvo; encontra logo à direita um restaurante, o Trinca-Espinhas, continua e, umas centenas de metros à frente, do lado esquerdo, lá está o Restaurante do Luís; e quem lá puder ir, garanto-vos que o peixe é sempre bem grelhado - digo-vos já que não ganho nada com a publicidade... eheheh]. E, pronto, esta é a última verdade.

Ufa, até que enfim!...

E quem registou os seus palpites no post anterior, já pode verificar a pontaria, ok?

Agora, vou ali abaixo fazer o escrutínio das vencedoras [dado que não pode haver vencedores, como foi bem observado num dos comentários lá feitos].

Até já!

sábado, 14 de março de 2009

Ufa!...que desafio!


Fui metido em trabalhos! É verdade, fui mesmo! A tia brites do blogue filmes com legendas desafiou-me a deixar aqui umas tretas a meu respeito. Mas com regras, ah pois!

Ora, o desafio consiste em escrever aleatoriamente nove coisas sobre mim, das quais três devem ser mentira. Depois, passar o desafio a outros nove bloguistas e informá-los. Entretanto, das nove coisas que o desafiante falar sobre ele próprio, o desafiado terá de dizer no seu "post" quais as três que acha que são mentira.

Assim, explicadas as regras, temos:

a) na dúvida se a expressão "no seu post" diz respeito ao do desafiante ou ao do desafiado, optei por aquele, por me parecer mais lógico concentrar apenas num "post" todas as "apostas" dos desafiados. E daí que os meus palpites acerca das "aldrabices" da minha desafiante foram dados no seu blogue. E, nesta altura, posso até adiantar que só não acertei numa delas;

b) e quanto ao cumprimento da parte inicial do desafio, ou seja, referir as nove coisas sobre mim, das quais três são "tretas", aqui vai:
1. Devido a uma infecção capilar ocorrida na tropa, uso capachinho desde essa altura.
2. Gosto imenso de ler livros e ouvir música clássica.
3. Sou adepto do exercício físico e praticante de uma modalidade desportiva.
4. Quando compro a minha roupa, mesmo a interior, tenho tendência para escolher a cor azul.
5. Uma das coisas que me dá grande prazer é conduzir um automóvel.
6. Fumo cigarros desdes os 15 anos e agora já não consigo libertar-me deste vício.
7. Adoro fotografar, com especial preferência pelos rostos das pessoas.
8. Nos momentos livres, quem me quiser ver feliz da vida é a andar de bicicleta.
9. Um "prato" de dourada, escalada e grelhada no carvão, com couve e batata cozidas, tudo regado com molho de azeite, alho e coentros, faz-me lamber os beiços.

E agora tenho de indicar os próximos nove "sacrificados" e avisá-los do "azar que lhes calhou em sorte". E digo isto porquê? É que, depois de pensar várias vezes nesta regra, resolvi sortear aqueles nove "ao calhas" dentre os 105 blogues que constam da minha lista completa. A alguns destes blogues, fui lá de passagem duas ou três vezes e não deixei comentários, mas certamente encontrei textos, imagens ou fotos que me levaram a incluí-los na lista de favoritos [onde estão também as tretas próximas e as tretas favoritas que constam da coluna do lado esquerdo do meu blogue]. Explicado o critério da passagem do "testemunho", eis, pela ordem de saída no sorteio, os meus desafiados:
-> a xantipa com a senhora sócrates
-> a menina do rio dos momentos de vida
-> a maria josé quintela vinda do lugar dos outros
-> o bilhas no papel do bilhas, o bom da fita
-> a inês pimentel que reparte as suas migalhas
-> a senhora saída do caldeirão da bruxa
-> o eira-velha que conta as suas memórias...
-> a mariam que se sente no mariasentidos
-> e a mona lisa exposta no fardilha's

Chegado a este ponto, resta-me publicar este "post" e, de seguida, informar os meus desafiados. Para além disto, fica o convite a todos os outros que vierem até aqui para deixarem os palpites acerca das três "tretas". Boa pontaria, tá?

Acabou o "estágio"...


Após uns dias de "estágio", em parte provocado por uma virose que atacou o pessoal cá em casa, aqui estou novamente, fresco como uma folha de alface [ou melhor, ainda um bocado murcho como uma folha velha de couve lombarda... eheheh].

E vou já tratar de terminar o post começado há alguns dias, antes que a minha desafiante me coloque na lista negra e não me deixe assistir aos filmes produzidos pelo seu estúdio.

Até já, ok?

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Blogue maneiro!


Há três semanas, a Gigi do blogue
verde água carimbou-me com aquele selo. Ao que parece, na opinião desta minha amiga virtual, o meu blogue é maneiro...



Tendo em conta a simpatia da Gigi, não quero deixar de aqui registar as regras que eram necessárias para participar, a saber:

1- Exibe a imagem do selo “Olha Que Blog Maneiro”.
2- Publica o link do blogue que te indicou.
3- Indica 10 blogues da tua preferência.
4- Avisa os teus indicados.
5- Publica as regras.
6- Confere se os bloguess indicados repassaram o selo e as regras.
7- Envia a tua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com os 10 links dos blogues indicados para vericação. Caso os blogues tenham repassado o selo e as regras correctamente, dentro de alguns dias receberás uma caricatura em P&B.
8- Só vale se todas as regras acima forem seguidas.


Na altura em que me foi atribuído o selo, manifestei logo que, no meu caso, as regras 3 e 7 seriam as mais problemáticas... eheheh. Mas apenas hoje tive disponibilidade para dedicar-me a este tema e, assim, só agora constatei que a ideia começou aqui com o intuito de atribuir caricaturas a quem cumprisse as regras até 31 de Janeiro. Daí que o prazo já está ultrapassado e, pelo que verifiquei, o criativo da ideia anda atrapalhado com a realização de 3.000 caricaturas.

Assim, está fora do prazo para a Gigi ganhar uma caricatura e, por isso, o meu pedido de desculpas pela minha quota-parte de responsabilidade.

Mas como, para mim, ser maneiro é ser porreiro, fixe, cool..., então não está fora do prazo para atribuir aquele selo a quem passar por aqui. Servi-vos do selo à vontade, ok?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Dia do Yôga



18 de Fevereiro. Neste dia celebra-se o Dia do Yôga, dado tratar-se de uma data com cariz especial para os praticantes desta filosofia de vida, como é bem referido neste post, de onde foi importada a imagem acima.

Em Portugal, as celebrações do Dia do Yôga começaram no sábado passado, dia 14/02, no Multiusos de Gondomar. E quem lá foi ainda teve o privilégio de, através de video-conferência, assistir em directo a uma mega aula no Brasil dada pelo Mestre DeRose. As fotos do acontecimento podem ser vistas aqui.

E para quem estiver interessado em conhecer o Método DeRose, aqui fica este link: www.yoga.pt.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ténis e espectáculo


Transmissão da Eurosport em directo do Open da Austrália. Hoje de manhã, desde as 08:30. Tratou-se da semi final masculina entre Rafael Nadal e Fernando Verdasco, tenistas espanhóis e ambos esquerdinos.

Foi um extraordinário encontro de ténis que se prolongou por 5h14m, o mais longo da história daquele Grand Slam. Ao ténis mais ofensivo de F. Verdasco respondeu R. Nadal com o seu jogo com muito spin e com uma capacidade atlética já muito conhecida. Mas houve jogadas de ambos que ficarão na memória de quem gosta de ténis. E o vencedor acabou por ser o actual nº 1 do ranking, com os parciais de 6-7(4), 6-4, 7-6(2), 6-7(1) e 6-4.

Aqui ficam alguns dados estatísticos do encontro:
- R. Nadal vs F. Verdasco:
- 1º serviço: 74% - 69%
- ases: 12 - 20
- faltas duplas: 3 - 4
- pontos ganhantes (incl. serviço): 52 - 95
- erros não forçados: 25 - 76
- pontos de break: 4-20 - 2-4
- pontos ganhos: 193 - 192
- veloc. máx. serviço (km/h): 200 - 220

Em resumo, tratou-se de um espectáculo com ténis ao melhor nível.



Nota: Foto obtida na página do Open da Austrália.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Para além do fim


Na semana passada, na Fnac do MarShopping, em Matosinhos, foi feita a apresentação do livro de poesia
Tanto@mar da autoria de Ricardo Silva Reis.

Dos 46 poemas que fazem parte do livro, tomo a liberdade de publicar aqui um dos que mais me agradam.


Para Além


Para além do fim do dia resta a lembrança
A ilusória sensação que as horas correram no seu percurso normal.

Para além do fim das palavras restam os versos
Cantados num desafio em que o vento sopra sempre mais forte.

Para além do fim
Resto eu, acordado, à espera que tudo recomece...




Pacotes de açúcar com...


De há uns tempos a esta parte, quando vamos a um café e pedimos um café [ou cimbalino, ou bica, conforme a região], podemos ser brindados com um pacote de açúcar que, numa das faces, nos mostra a imagem de alguém célebre, complementada por uma expressão interrogativa que lhe é alusiva e que começa com um "haverá algo mais verdadeiro do que...".

Os tais pacotes fazem parte da publicidade dos Cafés Delta. Dos que até agora me calharam em sorte, registo os seguintes:

Luís Vaz de Camões (c.1524 - 1580)
-> Haverá algo mais verdadeiro do que cantar sem música?

Mahatma Gandhi (1869 - 1948)
-> Haverá algo mais verdadeiro do que vencer a força com a razão?

Albert Einstein (1879 - 1955)
-> Haverá algo mais verdadeiro do que reinventar a qualidade?

Fernando Pessoa (1888 - 1935)
-> Haverá algo mais verdadeiro do que ser pessoa entre a multidão?

Haverá mais?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Vida sexual: de ficção ou real?


Há cerca de dois meses li no Jornal de Notícias um artigo com o título "Vida sexual de ficção impõe-se como ideal", escrito por Eduarda Ferreira. E mais abaixo, como subtítulo, podia ler-se que a "erotização da sociedade e dos bens mais insignificantes dita padrões de desempenho aos indivíduos e casais". Aqui deixo a transcrição completa:

Todos mentem aos outros ou a si próprios quanto à actividade e satisfação sexual. A "culpa" será das mensagens erotizadas que se colam até às coisas mais comezinhas, numa sociedade que vê o sexo como um recurso finito.

A publicidade feita a bens tão simples como um iogurte generaliza a ideia de que o desempenho sexual de cada um deve ser perfeito, frequente e duradouro, mas a realidade será bem diferente. Apesar de as pessoas não o admitirem. Ou de só o confessarem em inquéritos, com a segurança do anonimato, e sob garantia do segredo profissional de médicos ou psicólogos. Elas estarão fartinhas do sexo. Pelo menos estarão cansadas de ter de cumprir os padrões mediatizados , inclusivé pelo cinema. Esta a perspectiva ontem transmitida por Stuart Walton, que ontem participou nas conferências "As Regras da Atracção", na Culturgest, comissariadas por Rui Trindade.

Segundo aquele ensaísta britânico, as consultas têm muita gente a queixar-se de cada vez fazer menos sexo. Mas, o que importará, segundo Stuart Walton, é que as pessoas, em vez de terapia, tenham mais tempo juntas, "tempo romântico, que pouco cabe nas vidas de rotina". Ainda na sua opinião, há a tendência para "um espírito de contabilista" quanto à periodicidade dos actos sexuais. Interroga-se Stuart Walton "por que razão tem de ser problema a falta de sexo e a necessidade deste não pode ir e vir como qualquer apetite?". O ensaísta considera também que havendo, numa relação prolongada, a tendência para a marginalização do sexo, este não pode ser o elemento definidor dessa relação. O sexo pode ter sido "o feriado", o que uniu o casal numa primeira fase e o desaparecimento do desejo pode ser natural. Até porque houve, entretanto o "efeito corrosivo" de realidades como a preocupação com os filhos e as rotinas diárias domésticas e do trabalho. Ainda assim, para essa fase, o conferencista aconselhou a "programar o sexo nessa vida atarefada".

Uma abordagem distinta foi feita pela socióloga Anália Torres, que falou dos vínculos emocionais e da forma como nas últimas décadas se reorganizaram os espaços da família, do amor e da relação com o trabalho. Afirmou a investigadora que se tem apostado mais no íntimo, o que constituirá uma espécie de refúgio, dado que cada vez se controla menos outras circunstâncias da vida, a começar pelo emprego. Anália Torres disse que nos últimos anos têm passado para a esfera pública questões antes ocultas. É o caso da interrupção voluntária da gravidez, da nova lei do divórcio, do casamento de pessoas do mesmo sexo, dos maus tratos a mulheres e crianças e da paternidade biológica e afectiva. Tudo questões que, curiosamente, surgiram nas sociedades espanhola e portuguesa em tempos quase simultâneos. "Tudo o que sucede em Espanha está também a acontecer cá", constatou Anália Torres para adiantar que "as pessoas reclamam direitos que antes pareciam não-reclamáveis".

Sublinhou a mesma socióloga que se gerou uma necessidade de compensação pondo ênfase no foro íntimo porque, apesar de maiores oportunidades individuais, também passou a haver maior risco e incerteza. Referindo dados recentes, Anália Torres lembrou que os europeus põem a família em primeiro lugar, seguida dos amigos, do lazer e trabalho. E admitiu ainda que a criança pode estar a ser vista como uma saída afectiva para as dificuldades emocionais entre os adultos.


Pareceu-me na altura um artigo interessante que versa uma questão que diz respeito a toda a sociedade. E continuo a achá-lo interessante. Então porque apenas agora o transcrevo? Porque, por vezes, gosto de maturar as coisas.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

..., trabalhos dobrados!


Há um provérbio popular que diz mais ou menos isto: "filhos criados, trabalhos dobrados!".

E isto é bem verdade, como o confirmam tantos e tantos casos de filhos já "arrumados" nas suas vidas, fora das "saias da mãe", e, apesar disso, a virem depois desaguar os seus problemas em cima dos pais. E se há excepções, e ainda bem que as há, apenas dão razão ao provérbio.

O povo, na sua experiência vivida de muitos e muitos anos, sabe analisar de modo acertado as vivências das pessoas, as situações de aproximação ou de conflito, os amores e os desamores. E depois, com a sabedoria das coisas simples, expressa as suas conclusões através de uma expressão curta e precisa.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A vida é como...


Li este livro de crónicas, já lá vão quase dois anos. Li-o com agrado, pois a escrita é acessível, directa e, por vezes, divertida. E ainda não tinha acabado de o ler quando escrevi este post.

No final da leitura, pensei que seria interessante apresentar neste espaço alguns excertos dos textos que atraíram mais a minha atenção e que, por isso, me levou a copiá-los para o livro de apontamentos deste blogue. Mas, por uma razão ou por outra, fui adiando a concretização da ideia. Até agora.

E vou começar esse registo com este excerto:


"A vida é como um velho disco de vinil: tem o lado A e o lado B. Quem tem mais de trinta anos sabe disso muito bem (até porque tem idade para saber o que é um disco de vinil). Não que a regra não valha para quem tem vinte ou cinquenta anos, mas, para os trintões, muitas vezes o lado B da vida é mais do que uma realidade, é a realidade propriamente dita."

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Sonho de menino: ser pastor


Chama-se Gonçalo. Tem 6 anos e sonha ser pastor. Vive com os pais e os avós em Cubalhão, freguesia de Melgaço.

E, apesar da idade, já conhece todos os segredos da serra e dos animais. Fora dos dias da escola ou nas férias, não quer outra coisa senão acompanhar o pai e a avó nas idas aos montes com os rebanhos.

É evidente que nem todos podemos ser calceteiros, motoristas ou farmacêuticos. É claro que alguém tem de cuidar das cabras e das ovelhas, levá-las aos pastos, dar-lhes feno para alimentação, estar atento ao nascimento das crias. E para isso é que há os pastores.

Sendo certo que, nos nossos dias, por vezes somos confrontados com engenheiros, advogados ou médicos a exercerem a contragosto [... e os seus cursos foram suportados em grande parte pelos impostos de todos nós], também parece não haver dúvidas que, para a sociedade, tem muito mais valor um pastor que gosta daquilo que faz.

Por isso, Gonçalo, que o teu sonho se transforme em realidade. Mas não abandones a escola, aproveita bem os estudos. Até para poderes ser um pastor com mais conhecimentos e melhor sucedido na vida.




Nota:
Este texto foi pensado após ter visto a reportagem "Menino pastor", emitida hoje no fim da 2ª parte do Jornal da Tarde da RTP1.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Graffiti


Consultando a Wikipédia pode-se constatar que a palavra italiana graffiti [plural de graffito] significa "marcas ou inscrições feitas em um muro".

E se há graffiti que apenas testemunham o mau gosto de quem os criou e, muitas vezes, são autênticos atentados aos edifícios onde são feitos, creio que estes demonstram um valor pictórico assinalável e até dão um melhor aspecto ao espaço onde foram pintados.




Nota:
O local onde estão estes graffiti é o muro do viaduto do início da Rua do Duque de Loulé - Porto, junto do parque de estacionamento pertencente à Junta de Freguesia da Sé.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Não acreeedito!...


Há dias fui meter gasolina no carro. Ao chegar a uma das bombas do Jumbo, olho para o preçário indicado no painel. E ao verificar o custo da gasolina 95, a minha reacção foi de espanto:
- O quê?... Quanto?!... Não acreeedito!... € 0,969 por litro!...

Há muito tempo que não abastecia gasolina no Porto a um preço abaixo de um euro por litro.

Mas parece que as coisas vão alterar-se. É que hoje ao almoço foi noticiado na televisão que os preços dos combustíveis voltaram a subir. E as razões apresentadas são a subida acentuada dos produtos refinados e a desvalorização do euro. Moral da história: são rápidos a decidir os aumentos dos preços e leeentos a baixá-los.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Serra amarela


Em Junho seria mais habitual não encontrar a serra com aqueles tons de amarelo. Mas foi isso que encontrámos no Verão passado no Parque Natural da Serra da Estrela.

Durante um percurso no PNSE, feito em viaturas de todo-o-terreno, fomos surpreendidos com muitas zonas ainda cobertas com a cor amarela das maias. Aqui ficam dois dos registos obtidos na altura.





Nota:
Na primeira quinzena de Junho passado, eu e alguns amigos do ténis, aqui do Porto, com as famílias [no total éramos quase 20 pessoas], fomos de malas aviadas até Mesquitela, no concelho de Celorico da Beira. E com base no turismo de habitação proporcionado pelo Solar dos Cerveiras [www.solardoscerveiras.com], lá andamos durante cinco dias e quatro noites por terras daquela região.
Aquele percurso fez parte do nosso passeio em grupo e foi organizado por uma empresa de animação turística com sede na Guarda: a Universo TT [www.universott.pt].

sábado, 3 de janeiro de 2009

Histórias a saltar: uma delas!




OS STRAIFTS ATACAM

À distância de quatro milhões de sóis da Terra, um planeta com o nome de Straift sofre grandes transformações. O seu sol, que há mais de cem milhões de anos irradia energia, estás prestes a explodir. Essa explosão destruirá a atmosfera dos Straifts e daí irá passar o calor da explosão para o planeta, que é mil vezes mais intenso do que a temperatura normal do planeta, que é de cinquenta graus centígrados. Então Straift ficará como uma autêntica fornalha e todos os seres vivos morrerão.

Sabendo disso, os Straifts - desculpem a interrupção mas vou passar a descrevê-los: têm, quando adultos, dois metros de altura, a pele azulada, os cabelos louros e os olhos vermelhos - como estava a dizer, os Straifts preparam todas as naves HX3 e P4A, num total de quatro mil enormes naves, para evacuar o planeta. Fora da camada branca, que envolve o planeta, as naves voam através do espaço.

Durante seis meses, cinco dias e três horas, os Straifts vagueiam pelo espaço até encontrarem a nossa galáxia. Perto de Neptuno observam um espectáculo de cor maravilhoso: o sol de Straift explode e destrói com ele quatro planetas que estão muito perto, provocando cores fantásticas. Dentro das naves o som da explosão ecoa e os seus ocupantes, comovidos, choram grossas lágrimas tão brilhantes como cristal.

Então esse povo muito poderoso avança para Terra. Sabendo que esta é habitada vai tentar conquistá-la. Para seu azar, uma base em Marte, de origem terrena, descobre-os através do radar e avisa imediatamente o D.D.T. (Departamento de Defesa da Terra) que, no mesmo instante, responde ordenando o ataque, pois coisa boa de certeza eles não vinham fazer à Terra com naves de guerra. Assim, cinco mil mísseis XO-40, cem caças e quarenta bombardeiros pesados são mandados contra os Straifts. É claro que estes não ficaram de braços cruzados. Mandaram logo quatro mil mísseis Flach-ZA para a base de Marte. Acertaram no alvo e a base foi destruída. Porém os Straifts sofreram poucas baixas. Com três mil novecentas e oitenta e duas naves avançaram.

Um satélite militar da Terra é avisado do ataque que se prepara e apronta-se para disparar quando o alvo estiver ao alcance dos disparos. Já perto do satélite, os Straifts são atacados pelos poderosos mísseis solares e por mil caças bombardeiros e pela poderosa nave Atlantic. Os Straifts não têm medo e combatem arduamente. Quatro horas depois mil naves de Straift estavam destruídas e com elas todos os caças bombardeiros. A Atlantic também estava quase toda destruída. Os Straifts atacam então a Terra e o D.D.T. é forçado a utilizar as forças restantes. Houve uma batalha destruidora em que os da Terra saíram vitoriosos. Mas havia agora cidades destruídas. O medo, a fome e a morte pairavam no ar. Quanto aos Straifts ficaram arrasados. Muitos morreram, outros foram capturados.

Por estes, as forças terrestres ficaram a saber qual a razão do ataque à Terra. Entre os chefes da Terra e os de Straift trava-se o seguinte diálogo:
- Aqui Apollo, chefe dos Straift, o que querem?
- Aqui Presidente do D.D.T., queria falar consigo. Sei o que os levou a atacarem-nos. Se quiserem podem viver na Terra. Como suportam altas temperaturas poderão viver no deserto.
- Obrigado. Muito Obrigado. O agradecimento de todos nós.

Depois dos Straifts chegarem ao deserto ficaram muito contentes e ajudaram a Terra a recuperar-se da guerra havida.



Nota:
Há dias, durante arrumações cá em casa, encontrei um caderno de folhas soltas. Na capa pode ler-se: "26 Histórias a Saltar". Dentro, os textos, todos dactilografados, são da autoria de alunos da Escola Preparatória de Leça da Palmeira do ano lectivo 1984/85.
E, de acordo com a introdução feita pela professora, as histórias "são o simples resultado de uma conversa numa fria manhã de inverno em que, para esquecerem as mãos geladas, os meus alunos deixaram falar o que lhes ia na alma: histórias simples para crianças simples como eles."
Alguns dos textos são encantadores, puros na sua simplicidade, mas muito bonitos, tendo em conta que foram imaginados por jovens à roda dos 11 ou 12 anos.
E das 26 histórias do caderno, escolhi aquela lá em cima para publicar neste blogue. Não foi uma escolha ao acaso, confesso. Mas também não se trata da mais bonita ou da mais bem escrita. Mas é aquela com a qual não corro o risco de ser processado a pagar direitos de autor...[dado que sou o pai do autor] eheheh

E já cá está...


Já cá está o ano 2009. Começou há pouco e já vai no terceiro dia.

Se o tempo fosse contado apenas em segundos, entre as doze badaladas da meia-noite do último dia do ano passado e o momento em que comecei este texto, então estariam registados mais de 1.782.000 segundos. O que, convenhamos, são muitos segundos!

Mas tratando-se de segundos de vida para cada um de nós, é bom!

E sendo renovados de forma automática, é óptimo.

E sendo acrecentados com saúde, paz, amor e... euros para enfrentar a crise, então é porreiro!

É o que desejo a quem vier até este espaço.

BOM ANO 2009!