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sábado, 7 de abril de 2007

Tretas ao calhas [2]

Após o primeiro trabalho desta rubrica, decidi alterar um pouco a ideia inicial. Assim, em cada 'post' será tratada, pela ordem do alfabeto, apenas uma letra e, por isso, o 'ao calhas' incidirá nessa letra para a procura das três palavras.

Hoje começo com a letra A. Saíram na 'rifa' as seguintes palavras:

aguarentar v.tr. 1 arredondar, cortando os guarentes; 2 cercear; 3 diminuir; 4 desacreditar; apoucar.

alhures adv. 1 noutro lugar; 2 algures.

amenista adj. 1 pessoa ou designativo de pessoa que diz amén a tudo; 2 condescendente.


sexta-feira, 9 de março de 2007

Tretas 'ao calhas'

A ideia é, de vez em quando, abrir o dicionário 'ao calhas' e pesquisar três palavras pouco comuns, isto é, que raramente são utilizadas nas conversas do dia-a-dia, e publicá-las depois num 'post' com os seus significados.

A intenção é apenas registar aqui alguns 'palavrões' [no bom sentido, claro!...] que, talvez, permitam aumentar o conhecimento de quem vier até aqui no que respeita à nossa língua. Porque, de acordo com a voz do povo, o saber não ocupa lugar, não é?

Para esta tarefa, vou socorrer-me do Dicionário da Língua Portuguesa 2003, edição da Porto Editora [já está um pouco 'velhinho', mas vai servindo].

E hoje, para começo, calharam as seguintes palavras:

-> bossa s.f. 1 MEDICINA inchaço formado em consequência de uma contusão; 2 protuberância irregular nas costas; corcunda; 3 ZOOLOGIA (camelo, dromedário) protuberância dorsal; 4 ANATOMIA saliência arredondada de certos ossos; 5 protuberância craniana que, segundo a teoria frenologista, indicaria determinada faculdade ou aptidão; 6 [fig.] tendência; disposição; 7 [Brasil] buraco no pavimento da estrada.

-> empireuma s.m. sabor ou cheiro desagradável, proveniente de substâncias orgânicas submetidas à acção de fogo violento.

-> genótipo s.m. 1 BIOLOGIA constituição hereditária de um organismo formada por todos os genes existentes nas suas células; 2 LINGUÍSTICA entidade linguística abstracta que faz parte da língua ideal.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Tretas e... a TLEBS


Muito se tem dito e escrito acerca da TLEBS. Tenho, por hábito, não manifestar a minha opinião quando se trata de temas acerca dos quais não tenho conhecimentos ou dados suficientes. E, nestes casos, das duas, uma: ou não digo nada ou, então, vou à procura de elementos que me auxiliem a formar um juízo acerca da questão.

Foi isto que fiz em relação à TLEBS.

Comecei por anotar o 'post' da saltapocinhas dedicado à TLEBS, colocado em 09/12 pela , do qual me permito respingar para aqui uma parte do texto:
"Eu ficava feliz se cada aluno que termina o 12º ano soubesse escrever um texto escorreito e perceptível, e tivesse lido meia dúzia de obras de bons escritores na íntegra!!
Primeiro nasceu a língua, depois é que inventaram a gramática!
E se deixassem as complicações gramaticais para quem vai seguir cursos de línguas?
E que os professores fiquem apenas a ensinar os seus alunos a gostar de ler e a saber escrever!"

Depois disso fui 'navegar' até ao blogue A Origem das Espécies e verifiquei que o seu autor em 08/12, no 'post' intitulado "De facto, é o fim. [A TLEBS]", fazia referência a um artigo do Prof. João Andrade Peres, publicado no mesmo dia na revista do Expresso, e ainda aconselhava a ida ao 'site' daquele professor catedrático para quem quisesse consultar a versão alargada da sua posição acerca desta problemática (da qual, o autor do 'post' apresenta uns extractos). Do texto escrito por Francisco José Viegas naquele 'post', tomo a liberdade de transcrever o seguinte:
"Depois deste artigo corajoso e ponderado (que não pôe em causa a evidente necessidade de alterar a terminologia actual - no que parece todos estarmos de acordo) não resta outro caminho, à Ministra da Educação, senão repensar muito seriamente tudo o que está a ser feito nesta matéria. Andrade Peres faz sugestões muito úteis (uma delas seria a de uma Terminologia da Disciplina de Português, por exemplo, para acabar com a guerra inócua entre Linguística & Literatura no Secundário), efectua uma separação das águas muito útil para que não se confunda a sua argumentação com a de alguns comentadores generalistas e ignorantes; salienta alguns aspectos positivos da terminologia; e desmonta passo a passo, ponto por ponto, a TLEBS. Em meu entender, é o fim da TLEBS (ver ainda o artigo de Jorge Morais Barbosa no JL). Seria uma vergonha se o Ministério permitisse a continuação do descalabro."

Mais tarde, no semanário Sol do passado sábado, li o "Blogue" de Marcelo Rebelo de Sousa, em que, no segundo ponto do texto "Língua e confusão", afirma:
"E que dizer da TLEBS (Terminologia Linguística dos Ensinos Básico e Secundário) que arrancou torta em Portugal? Começou no Secundário e não no Básico; com calendário confuso; sem formação suficiente; sem coordenação e Gramática de referência para as escolas (as existentes são contraditórias); complicando a análise da Língua onde se pretende simplificadora.".
E um pouco mais adiante, aproveitando o exemplo dado pela revista Visão, na sequência de um artigo de João Paulo Guerra no Diário Económico, Rebelo de Sousa termina:
"... a palavra 'cão' passa de substantivo comum masculino a nome comum, contável, animado e não humano. E onde havia pronomes, adjectivos e advérbios, surgem quantificadores, advérbios disjuntos, modificadores preposicionais, adverbiais e frásicos. Vamos a isto, que a TLEBS é fascinante: apaixona algumas dezenas de milhares de jovens e crianças. Ou não?"

Já anteontem, naquele blogue de Francisco José Viegas, este autor volta a falar da TLEBS, fazendo, neste caso, referências a declarações prestadas pelo director-geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, do Ministério da Educação. Aqui apenas vou citar do texto a parte que acho essencial:
"... afirma que a TLEBS tem deficiências e que a maior parte delas só se corrigirá depois de serem identificadas "na prática com os alunos", que servirão de cobaias para uma terminologia que "tem deficiências", como reconhece à partida.".

Li depois o artigo de opinião de Vasco Graça Moura, publicado em 21/12/2005 no Diário de Notícias, com o título "A TLEBS no sapatinho", de onde, quase ao início, fui buscar:
"A TLEBS baseia-se numa linguagem técnica de acesso difícil e em conceitos que não fazem parte da gramática tradicional e são desconhecidos da maioria dos professores. Assenta em critérios sintácticos que se sobrepõem aos critérios semânticos em termos radicalmente novos.".
E mais adiante, pode ler-se:
"Não há nenhuma gramática portuguesa que assente na TLEBS. Não há nenhum professor do básico ou do secundário que a conheça bem.".
E o artigo termina assim:
"Não sou professor, mas os professores que me contactaram merecem-me toda a credibilidade. Se as coisas são assim, ter-se-à a ministra da Educação apercebido da catástrofe? Terá visto bem a prenda que o Pai Natal pôs no sapatinho da língua portuguesa?".

Posso referir ainda o blogue semrede onde o seu autor escreve em 27/11/2005 o texto "TLEBS comparadas", que considero bem argumentado e esclarecedor. A quem estiver interessado nesta questão, aconselho a consultar este blogue. Mas não resisto a citar um excerto do comentário colocado no 'post' por "Lena b" no dia 01/12/2005:
"Demorei a comentar porque toda esta polémica acerca da TLEBS me parece completamente surrealista. Primeiro, porque, para ser levada a sério, teria de ter começado há dois anos e não apenas agora. Segundo, porque me parece que, de repente, toda a gente se transformou em linguista - até o Miguel Sousa Tavares e aquele rapaz do "gato Fedorento". Terceiro, porque, à medida que vou lendo os artigos desses "linguistas de bancada", cada vez me convenço mais de que querem transformar um assunto científico num problema político. E o pior é que estão a conseguir, pois a Ministra da Educação já afirmou recentemente, numa entrevista, que as reclamações deviam ser endereçadas ao anterior Governo, que tinha publicado o Decreto... Mas agora a gramática também está ao serviço da oposição?!".

Temos também, para consulta, a portaria nº 1488/2004 de 24/12, que consagra a TLEBS como experiência pedagógica, e a portaria nº 1147/2005 de 08/11, que alarga a aplicação da nova terminologia a todas as escolas do ensino básico e secundário.

Ainda temos a petição on-line contra a implementação da experiência pedagógica TLEBS.

E, creio, deverá haver muitos mais artigos, textos, opiniões, etc., que não tive sequer conhecimento da sua existência.

Certo é que a problemática da TLEBS não é pacífica, temos muita polémica à sua volta. Há pessoas, com reconhecida formação académica na área da língua portuguesa, que são a favor da TLEBS, embora também notem deficiências que será necessário corrigir. Outras, de nível académico idêntico, são contra a TLEBS, porque, não sendo contrárias à actualização da terminologia tradicional, entendem que "apresenta deficiências e lacunas de uma gravidade tal que fazem desta terminologia, tomada na sua globalidade, um objecto que não merece crédito científico, que envergonha a Linguística portuguesa e o próprio país e que não se entende como pode estar a ser introduzido no sistema de ensino." - palavras do Prof. João Andrade Peres no artigo já referido.

E, então, qual é minha posição? Sou contra a implementação da TLEBS! Sou contra porque, em muitas escolas do ensino secundário, cujos alunos já foram abrangidos no ano lectivo corrente, a formação dos professores ainda não está finalizada. Sou contra por causa da confusão que se vai criar nos alunos do secundário habituados durante vários anos a fazer uso da terminologia tradicional. E ainda sou contra porque, embora sabendo que "a língua é, pela sua natureza, um 'objecto' dinâmico" e que "a gramática tradicional e normativa depressa se torna obsoleta e incapaz de dar conta de todos os fenómenos que nela ocorrem" - palavras de "Lena b", citada acima, a TLEBS "arrancou torta" - como disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Finalmente, sou contra porque, tendo em conta o futuro dos meus netos menores [uma prestes a terminar o ensino básico], não perspectivo, nem agora nem há mais de trinta anos, vontades concertadas dos poderes políticos, quaisquer que sejam as suas cores, de modo a se implementar em Portugal um sistema de ensino coerente no seu todo, atraente para quem ensina e para quem é ensinado e eficaz na sua interligação com a vida real do país que somos todos nós.

E, por tudo isto, já posso dizer: venha daí a 'petição on-line para eu assinar!