segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Gaivota receosa




Estava a estátua concentrada a fazer exercícios de equilíbrio sobre a água, quando uma gaivota pousou sobre a sua cabeça e disse, receosa:

- Não te mexes muito, senão caímos!
- Ó gaivota, confia em mim, fico quieta como uma estátua!


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ministros na sopa?


Em conversa de grupo e a respeito de gostos alimentares, uma amiga contou uma história que se passou com ela num restaurante. Após indagar acerca da sopa do dia, teve este diálogo com a empregada:

- Hoje temos sopa de ministros.
- De ministros?
- Sim... é sopa de nabos!

Ora bem, acho que esta atribuição dos ministros ao nome da sopa, em desfavor dos nabos, não é nada lisonjeira para estes, os nabos de verdade. É que o autêntico nabo é um tubérculo comestível, rico em cálcio e possui poucas calorias.

Ao contrário, os ministros não são comestíveis [excepto os que são gays passivos, of course...] e, com poucas excepções, apenas são ricos em merda, que se lhes concentra no sotão da cabeça de cima [e fazem muito dinheiro com a venda da dita às quintas biológicas para o estrume das terras]. E quanto às calorias, estamos bem conversados, aqueles gajos têm paletes delas, andam abarrotados "por todos os lados, menos por um chamado istmo" [expressão que me ficou desde as aulas de geografia]. É que os rendimentos deles têm subido por aí acima com o que ganham pelo erário público [que expressão gira! nem sei como me fui lembrar dela], e muito mais com o que lhes entra nos bolsos pela porta do cavalo [ministro que se preza não aceita calorias por transferência directa para a conta bancária].

E só tenho pena que os ministros não sejam atacados por pulgões, como acontece aos verdadeiros nabos. É que se fossem, poderíamos pulverizá-los com sulfato de nicotina [e também com sulfato de peúga, só lhes fazia bem!].

E, desta vez, até o meu tio Fabiano se coibiu de tecer algum comentário.







Notas:
[1]A foto e a informação acerca dos verdadeiros nabos foi obtida na Wikipédia.

[2] Do dicionário: gay [gei], adj.-> alegre, jovial, de bom humor; vistoso; brilhante; satisfeito; feliz; festivo; (cal.) atrevido, descarado.

[3] Acho que fiz algum esforço em ir ao dicionário buscar o significado do termo gay em português. Mas fica ao vosso critério utilizá-lo ou não, ok?

Gaivotas na praia



O que te sugere esta foto?...

A mim, parece-me um esquadrão de caças F-22 Raptor, todos alinhados, à espera do sinal do comandante para levantar voo e ir atacar um alvo algures no... sei lá! os gajos da USAF não têm o hábito de informar quais os locais visados antes das operações de ataque. E sendo assim, é-me difícil dar um palpite.

Mas às tantas, como são gaivotas, podem estar a recuperar energias antes de baterem as asas e irem lançar fora a carga "a mais", quando os intestinos estiverem em modo de descarga. Talvez em cima dos trauseuntes que passeiam calmamente pelas ruas da baixa e deitam os olhos gulosos aos artigos das montras das lojas de luxo [ou de lixo?...]. Ou em cima dos automóveis topo de gama, acabadinhos de sair da lavagem manual daquela estação de serviço ali na zona e que está na berra por causa da sua mais recente promoção "pague agora a gasolina e venha buscá-la daqui a trinta anos"...

Ou como diria o meu tio Fabiano: vê lá se ganhas juízo, porque já não tens idade para estas maluqueiras!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Encruzilhada


Algumas vezes somos confrontados com as nossas próprias incertezas quanto ao caminho a seguir na vida. Ou, dito de outro modo, há momentos em que temos dúvidas em relação às opções a tomar para o nosso futuro no âmbito pessoal, familiar, social ou profissional. Ao longo da nossa vivência, connosco próprios ou com os outros, deparamo-nos com diversas encruzilhadas de diferentes níveis de dificuldade para ultrapassá-las.

Nessas alturas, a questão é: que rumo tomar? Desde que seja possível e ajustado ao que está em causa, é evidente que deve-se ponderar com tempo e bom senso. Mas o pior procedimento é ficar parado como um tolo no meio da ponte, vazio de ideias ou ausente nas decisões. Não é beneféfico para quem está em jogo, quer sejamos apenas nós ou hajam também outros, deixar o tempo cristalizar situações pela indefinição de vontades ou pela falta de atitudes. É que nesses casos, mais tarde ou mais cedo, a sociedade cobrar-nos-á uma orientação de mais difícil resolução. Por isso, é sempre melhor decidir atempadamente para que lado vamos orientar o curso do nosso destino. É sempre preferível, sem demoras escusadas, traçar um rumo: em frente, nunca para trás dado que não podemos retroceder no tempo. É sempre aconselhável um passo decisivo para sair da encruzilhada.



E se depois concluírmos que não foi o caminho mais acertado?... Aí paciência! É que ninguém é perfeito!

Ou como diria o meu tio Fabiano: não olhes para o que eu digo, nem olhes para o que eu faço!...
[1]




Nota:
[1]- Adaptação da fórmula com que Edson Athayde terminas as suas crónicas.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Parceiro de vida?...


Admito desde já que não estou bem certo que o tema deste post tenha algum interesse seja lá para quem for. Mas como hoje quero escrever alguma coisa no blogue, então aqui vai um texto sobre a primeira ideia que me veio ao pensamento. Ideia boa? Ideia assim, assim? Ideia péssima? Não sei, deixo ao vosso critério. Ok?

Há dias, por mero acaso, ouvi de raspão uma pequena frase de uma conversa entre dois amigos. Mas convem já precisar, isto para não levar depois a equívocos de dedução, que se tratava de uma amiga e de um amigo. Esclarecidos?... Muito bem! Então, dizia o amigo para a amiga:
- Sei que não sou teu parceiro de vida!

E foi esta expressão que me chamou a atenção, que me impressionou pelo sentido definitivo. De facto, creio que com o sei que não sou, pelo modo e com a entoação como foram proferidas as palavras, havia algo de decisivo, de irrevogável, de constatação final e que punha termo a quaisquer indefinições anteriores.

Já quanto ao "parceiro de vida", ainda estou por perceber o seu real alcance. A palavra parceiro significa companheiro, par, comparte, quinhoeiro, sócio ou ainda pessoa com quem se joga ou dança. Até aqui tudo bem, entendo! Mas ao acrescentar-lhe de vida, as coisas já não ficam tão claras no meu juízo acerca da frase em questão. É que a vida pode ser extensa ou curta, mas nunca mediana. Há até quem diga que a vida são apenas dois dias e que este já vai quase no fim. E depois da vida vivida há sempre a morte morrida, inevitável e definitiva. O que pretendeu dizer o tal amigo? Sócio na sociedade falida da vida? Companheiro de viagem por esse mundo fora e por toda a vida? Par de dança no próximo concurso de danças latinas organizado pela junta de freguesia?... Não sei! E agora não consigo desfazer esta dúvida porque os dois amigos lá foram à vida deles e não voltei a pôr-lhes a vista em cima.

Uma coisa é certa: há questões bonitas e importantes na vida. E, seja lá qual o for o entendimento que lhe der cada um de nós, creio que ser parceiro de vida deve ser uma delas.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Só!... ->[em três partes]


António Nobre [1867-1900], poeta português, cuja principal obra, (Paris, 1892), é marcada pela lamentação e nostalgia, imbuída de subjectivismo, mas simultaneamente suavizada pela presença de um fio de auto-ironia e com a rotura com a estrutura formal do género poético em que se insere, traduzida na utilização do discurso coloquial e na diversificação estrófica e rítmica dos poemas.

Ai quem me dera entrar nesse convento. Que há além da morte e que se chama a Paz!
— António Nobre, Soneto n°18, in Só.


Nota: Texto adaptado da entrada acerca de António Nobre, editada na Wikipédia.





Só!...

Sozinho, sem companhia, desacompanhado, solitário, ermo, desemparelhado, consigo mesmo, isolado, afastado, único, desamparado... Ufa! sei lá que mais!

Mas mais vale só do que mal acompanhado, lá diz o ditado popular.






segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Até quando haverá comida?


Estima-se que a produção mundial de alimentos seja suficiente para dar de comer a toda a gente. Mas, apesar disso, há fome em muitos lugares do mundo, com mais incidência em países de África e da Ásia. E, embora não sejam as únicas causas, tal acontece devido ao imenso desperdício de excedentes dos países ricos e à falta de ajuda desinteressada desses mesmos países aos países pobres.

Mas, num futuro próximo, o problema será ainda mais grave do que a distribuição desigual de alimentos. É que, nos últimos anos, vários estudos internacionais registam nas suas conclusões que, dentro de poucas décadas, haverá falta de comida a nível mundial. E aí todos os países, ricos ou pobres, sofrerão as consequêcias dessa situação.

A ideia deste post surgiu-me ao ler um artigo, na secção Mais//Ciência, da edição do jornal i do dia 19 deste mês, onde se refere que "um novo relatório internacional sobre o impacto das alterações climáticas prevê situações dramáticas de escassez de alimentos já em 2020".

O relatório em causa foi produzido por uma equipa de investigadores de uma ONG, com sede em Buenos Aires, que, após actualizarem "os últimos dados sobre clima, produção agrícola e aumento populacional", chegaram à conclusão que "as colheitas de trigo, arroz e milho vão ficar até 14% aquém da procura, dado que, além das quebras na produção, prevê-se que a população mundial atinja os 7,8 mil milhões de pessoas, mais 900 milhões". Mais à frente, salienta-se que o "relatório valida as previsões sobre o aumento de preços dos cereais, cerca de 20%, e também dos índices de fome a nível mundial para uma em cada cinco pessoas". Sugere-se ainda que as "mudanças nas dietas alimentares são vistas por isso como uma opção", pelo que é aconselhável substituir o consumo de cereais por tubérculos como a batata e aumentar o consumo de vegetais e leguminosas, como fonte alternativa de proteínas. E em termos de alerta diz-se que "o preço da inércia pode ser devastadoramente alto, não só para as gerações futuras como para esta".

Aquele artigo veio ao encontro do que, através da televisão ou de leituras, tenho registado acerca deste tema nos últimos anos. Agora ando a ler o livro O Fim da Comida, escrito em 2008 por Paul Roberts [é o autor de O Fim do Petróleo, de 2005]. Na capa, muito sugestiva e em sintonia com o título ao mostrar um garfo e uma faca ao lado de um prato com uma única ervilha, pode ler-se que "os cientistas afirmam que vai faltar comida e que seremos todos vegetarianos em 2050".

Da sinopse daquele livro retiro este trecho: "Sobressai uma inquietante realidade: o aumento da produção alimentar em larga escala está a atingir o ponto de ruptura; está a criar novos riscos de surtos de doenças transportadas nos alimentos, como a gripe das aves; a qualidade nutricional é cada vez menor; a prática de uma agricultura com utilização intensiva de produtos químicos compromete os solos e a água de uma forma irreversível. Enquanto um bilião de pessoas no mundo tem peso a mais, outras tantas não tem o suficiente para comer".

Daí a minha preocupação: até quando haverá comida?


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Chamo a polícia?


Há dias fui almoçar a um restaurante aqui no Porto, perto de casa. Na mesa ao lado estava um casal mais ou menos da minha idade. A dada altura, juntou-se ao casal alguém mais jovem que reconheci de imediato. Era um dos elementos da banda Trabalhadores do Comércio [no momento não me recordei do nome dele, mas agora sei que se tratava do Sérgio Castro].

Isto não daria lugar a este post se não fosse o meu modo brincalhão de estar com a vida e com as pessoas. É que, depois do empregado me entregar a conta, lembrei-me de uma das canções daquela banda. E, então, virei-me para o músico e saiu-me mais ou menos isto:

- Desculpe estar a interrompê-los, mas é que tenho aqui a conta do almoço e não me apetece pagá-la. Que me aconselha?... Chamo a polícia?

E pela simpatia do Sérgio Castro em aceitar, com uma risada, aquela brincadeira, aqui fica o vídeo e a letra da canção a que me quis referir.





Ero dez p'rá uma no restaurante
Almoçaba alarbemente
A meio do café um garçom pedante
Chigou-se e pos-ma conta frente
Atom bubi o brande todo dum trago,
Berrei pró home num pago, num pago;
O gaijo braunco chamou o girente,
Saltei pa trás, saquei, saiu o pente...
Pra num andare cadeiras pru are,
Atom pus-ma gritare:

Chamem a policia, chamem a policia,
Chamem a policia queu num pago.

Fui ber Lisboa à noite
Parei no Russio
Numa noite sem frio.
Mandei bir uma cola
E um gradanapo
E o cara de sapo
Pediume logo o taco o malcriadom
Num me cuntibe passeilhe um sermom
Disse qu'era uso da cunfeitaria
Qu'era mais siguro no tempo que curria.

Chamem a policia, chamem a policia
Chamem a policia, chamem a policia

domingo, 23 de janeiro de 2011

Já votei!


Já votei! Sim, hoje já votei. Mas não me sinto satisfeito com o que fiz.

Não votei em branco nem rasurei o boletim de voto. E isto quer dizer que optei por um dos candidatos. Ou seja, votei em quem, assim o creio, defende alguns dos valores com os quais oriento a minha vida.

Mas, confesso, votei sem convicção. Votei desiludido com a derrapagem económica e social do nosso país. Votei sem a "pica" de alegria e de esperança das primeiras eleições após o 25 de Abril. Votei triste porque sei que o meu voto não vai ter peso no futuro do país. E, por isso, não estou satisfeito com o que fiz.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Olá mãe!


Ontem foi o segundo dia mais triste da minha vida. Dezassete anos e dezassete dias depois do primeiro.

Mas os dias tristes também fazem parte da vida. E a vida continua!... É por isso que continuo a dizer:

- Olá mãe!