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sábado, 1 de dezembro de 2007

Curta-viagem de... pensamentos


Ena! já passa das oito meia e ainda falta tomar o pequeno almoço, carago! assim nunca mais chego à fábrica às nove, isto é uma chuchadeira crónica, até parece praga que me rogaram para não me levantar mais cedo, agora tenho de apressar-me, nem me sento à mesa, em vez das bolachas de weetabix com açúcar e mel vou tomar apenas um copo de leite meio gordo, okay agora passo a escova pelos dentes, falta pegar a carteira dos documentos e as chaves do carro de cima da mesinha de cabeceira, ainda tenho de ir ao escritório buscar a pasta, espera aí... já me despedi? nem sei bem, todas as manhãs a ‘chapa’ é sempre igual, um beijinho, até logo, telefona-me depois, ciao! ciao!... não devo bater a porta com força, além de indício de pouca educação acordaria o pessoal do prédio, se calhar para alguns até não seria má ideia, agora escadas abaixo, cuidado! os degraus estão molhados, se ponho mal o pé lá vou eu, a padeira do primeiro direito deixou o saco do pão mais uma vez no chão, mais uns degraus, ah! lá está o jornal do rés-do-chão direito em cima do tapete da entrada, já é costume, deixa lá ver se rasgo o jornal ao abrir a porta da rua...não, ainda não foi desta, qualquer dia perco a paciência e dou-lhe uma naifada, olá! porreiro, está um rico dia de sol, este jardim da frente precisa de ser tratado, paga-se um dinheirão todos os meses para o condomínio e isto está uma merda, a única coisa que funciona ainda é a limpeza das escadas, aos sábados a Luciana vem aí e limpa tudo de alto a baixo, veio há alguns anos de Angola e é deveras simpática, quando me vê pergunta-me sempre a dona Manuela está bem?... oh! carago! lá estou eu outra vez a divagar, tenho de mexer-me mais depressa...

Está uma fila de carros que nunca mais me safo, ainda nem sequer cheguei em frente ao Conde Ferreira, ah! aquele autocarro já arrancou, pode ser que o trânsito siga mais rápido, chatice! agora o sinal passou para vermelho, que faço?... aguento, que remédio!, olá! ali atrás está uma garota jeitosa, parece simpática, tem um golf vermelho com capota preta, que raio está a fazer? tem a cara apontada para o retrovisor interior, ah! já percebi, está a passar a escova do rimel pelas pestanas, com aquele vagar todo se calhar só vai ter tempo para o olho direito, raio de sinal que nunca mais muda, uh! uh! aquele tipo ali à esquerda no bmw 518tdi preto está a meter o dedo no nariz, então ó cavalheiro tenha maneiras, a limpeza dos salões é na hora do duche, às tantas o gajo nem sabe o que é isto de ter maneiras, de ter modos, ah! pois é, há gente que tem muita cagança com o carro, estás a topar? tem ar condicionado automático, tem direcção assistida e jantes de liga leve, etc, mas lá em casa se calhar anda tudo numa chafurdice... ena, finanlmente aí está o verde, eh! pá, já estão a buzinar, quem foi? às tantas foi aquela fulana do rimel, a filha da mãe levantou-se tarde e mal encarada, nem teve tempo para lavar as fuças e agora está cheia de pressa...

Quem vai para sul está tramado, aquele lado da auto-estrada no sentido da ponte da Arrábida é uma chatice, quase todos os dias vejo os carros no pára e arranca que até faz dó, mas deste lado é canja, de manhã passo nas calmas, dentro em pouco estou no túnel... ei! que é isso? esse cabrão do clio verde está a apertar-me, quer entrar nesta faixa, o gajo apareceu do lado esquerdo, de repente, sem dar sinal, guinou para o lado direito, passou por cima do traço contínuo e meteu-se à minha frente, merda! nestas alturas é que deveria aparecer um polícia de trânsito, aquele gajo de certeza que não leu o código de estrada quanto mais estudá-lo, cá para mim o tipo comprou o carro equipado de série e pensa que o pisca-pisca faz parte dos extras... ufa! deixa-me respirar fundo, foi por pouco...

A portagem já está lá ao fundo, o melhor é mudar para a esquerda, a via verde da brisa é que está na berra, passa-se a sessenta sem parar, ainda estou a pensar naquela tipa do golf vermelho, certamente foi ela que me buzinou, o estupor da gaja estava cheia de pressa, por falar nisso, sabes que há uma nova divisão do tempo? até agora o tempo dividia-se em dias, horas, minutos, segundos, micro-segundos e nano-segundos, não é? pois agora também há o pilo-segundo, então não sabes o que é? eu digo-te, é a cagasésima parte de tempo que medeia entre a mudança do semáforo de vermelho para verde e o toque de buzina do filho da puta que está atrás de nós... E com estas e com outras já estou a passar junto da saída de Baltar, como foi que cheguei até aqui? não sei, teria sido com o piloto automático? não me lembro bem, sei que já vou a cento e quarenta naquela descida que aparece logo a seguir à curva para a direita, não posso forçar mais pelo clio senão a carroçaria treme toda, não sei bem onde vou sair, talvez seja melhor a saída de Penafiel, assim evito o trânsito do centro de Paredes...agora saio da portagem, meto pelo novo desvio para Lousada e é um tiro até à entrada da recta de Sequeiros, depois é que é uma gaita, apanho o quase certo râme-râme atrás de camiões até ao centro da vila e... até que enfim! cheguei, lá está o espaço reservado para estacionar o clio... pronto! chegou ao seu termo esta curta-viagem de cinquenta quilómetros do Porto até Lousada.

Curta-viagem é o que está na berra, liga-se o piloto automático, põe-se a caixa dos miolos a desbobinar uns metros de pensamentos, as cenas vão passando... passando... até que, assim como quem não quer a coisa, chega o… Fim!

Nota: Texto escrito em Novembro/1999

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O calcanhar de Aquiles…


Acabei hoje de ler um livro de uma escritora americana, tem o título sugestivo de Presságio de Fogo e conta a história reimaginada da Guerra de Tróia, é um livro que me interessou muito, tem quinhentas e tal páginas mas li-o no espaço de uma semana, fez-me lembrar leituras antigas do poema épico Ilíada escrito por Homero, teria eu na altura não sei bem se doze ou treze anos, a heroína daquele romance é Cassandra, a princesa real de Tróia que tinha visões e fazia presságios, e a história é-nos contada a partir do seu ponto de vista, a autora do livro articula os dados históricos com a lenda, os mitos dos deuses com os feitos dos heróis, os factos e a ficção, e assim apresenta-nos uma nova imagem do conto antigo e dos seus intérpretes, fala-nos de Páris, irmão gémeo de Cassandra, ambos filhos de Príamo, rei de Tróia, fala-nos também de Helena, a bela princesa grega casada com Menelau, raptada por Páris e levada para o palácio de Príamo, passou então a ser conhecida por Helena de Tróia, foi o seu rapto que determinou a expedição dos gregos contra Tróia, comandados pelo seu chefe Agaménon, irmão de Menelau, fala-nos ainda de Heitor, de Eneias, de Aquiles e do seu amigo Pátroclo, de outras filhas e de outros filhos de Príamo, de sacerdotisas do deus Apolo, uma das quais era a própria Cassandra, de guerreiras amazonas chefiadas por Pentesileia, tia da heroína e irmã de sua mãe Hécuba, etc., etc. De todas foi a história de Aquiles que me fez pegar no dicionário à procura de dados e fazer comparações, no livro este herói, chefe dos exércitos do seu pai de nome Peleu, rei dos Mirmidões, aparece-nos como um guerreiro louco, sanguinário, desumano e invulnerável, foi ele que, para vingar a morte de Pátroclo, derrotou Heitor, filho primogénito de Príamo, apenas foi vencido por Cassandra, do alto do terraço do templo de Apolo, sobranceiro ao campo de batalha, a princesa com o seu arco disparou uma flecha e a seta envenenada foi atingir o calcanhar de Aquiles, causando-lhe a morte em poucos minutos, mas depois pelo dicionário retirei a seguinte informação, quando nasceu Aquiles sua mãe mergulhou-o na águas do rio Estige, tornando-o invulnerável, excepto no calcanhar por onde sua mãe o tinha segurado, muitos anos mais tarde foi mortalmente ferido no calcanhar por uma flecha envenenada que Páris lhe arremessou, como se vê as histórias da morte de Aquiles são diferentes em alguns pormenores, apenas coincidem no seu ponto vulnerável, isto é, no calcanhar de Aquiles. E, através dos tempos, esta expressão ficou...

Notas:
1. Texto escrito em Setembro/1997.
2. Dado que na altura em que escrevi este texto, não referi, por lapso, o nome da autora do livro “Presságio de Fogo”, e como, passados estes dez anos, já não sei qual o seu paradeiro, fiz pesquisa na internet pelo título. Fui, então, encontrar o blogue “Há sempre um livro… à nossa espera”,onde a bloguista expressa a sua opinião sobre todos os livros que já leu. E fui lá encontrar um ‘post’ de Fevereiro/2005 acerca daquele livro, que foi, agora já o posso mencionar, escrito por Marion Zimmer Bradley.
Aproveito esta ocasião para expressar aqui o meu agradecimento à Cláudia Sousa Dias, a autora do blogue, pela possibilidade que tive referir o nome da autora americana nesta nota ao meu ‘post’. E também para registar o meu contentamento pela descoberta do seu blogue, onde, pelos ‘posts’ que entretanto já li, posso obter as ‘imagens’ de vários livros. E, por isto, o blogue já entrou no grupo dos meus favoritos. E, ainda por tudo isto, recomendo a quem aqui vier que faça uma visita ao “Há sempre um livro… à nossa espera”.

sábado, 24 de novembro de 2007

Quem te manda a ti…

Assim como quem não quer a coisa, cá estou eu outra vez... Mas quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão? esta expressão, todos nós já ouvimos pelo menos uma vez, mas, apesar disso, continuamos a fazer coisas para as quais não estamos qualificados devidamente, isto vem a propósito das páginas anteriores escritas há quase um ano atrás e que estive a reler a madrugada passada para passar tempo durante uma insónia que durou toda a infinda noite, ainda agora estou por saber o porquê da falta de sono, ao jantar, se assim se pode chamar, comi e bebi como o faço há já vários anos, ou seja pão com manteiga e doce de marmelo e dois ou três copos de leite, por isso não foi esta refeição ligeira a causadora de estar desperto quando o normal seria estar a dormir, o que teria sido? não sei... mas, como ia a dizer, se não toco rabecão por não ser tocador, se não faço sapatos por não ser sapateiro, então porque escrevo não sendo escritor?... Valham-me os deuses das pessoas de paciência, será necessária muita persuasão deles para que estas porventura cheguem a passar os olhos pelas minhas linhas, às tantas talvez estas linhas até nem mereçam as atenções de pacientes quanto mais de cuidados dos seus deuses, bem vistas as coisas até estou a ser mais teimoso que o sapateiro da expressão popular, continuo aqui nesta teimosia de escrever não sei o quê e para quê... e ponto final.

Nota: Texto escrito em Setembro/1997

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Até quando?...


Não sei bem porque estou a contar-te estas histórias, talvez nunca tenhas hipóteses de as ler, a atitude de passar ao papel, ou melhor, para já ao computador, estas e outras histórias ou outros desabafos talvez seja um pouco estúpida ou despropositada, talvez esteja convencido que tenho algum jeito para escrever um género de escrita tipo Saramago, o Saramago que me desculpe, às tantas a razão de estar aqui agarrado ao teclado, a tentar escrever alguma coisa, talvez tenha a ver com uma tentativa de escape ou de me fazer esquecer o motivo por que estou agora aqui, de facto, se as coisas tivessem acontecido como estava planeado há mais um mês, tinha partido para Santo André para passar lá uns dias de férias após o Natal, mas o previsto foi furado nem sei muito bem porquê, ou se calhar até sei mas não quero dizer, é muito chato quando as situações passam ao meu lado e não posso ou não tenho forças para as modificar, mas não há dúvida que sofro pelo menos alguns dos efeitos, trata-se de uma vivência de coisas que se vão tornando hábitos, rotinas do quase dia-a-dia, por isso já desisti de reagir, de esbracejar, de virar tudo do avesso, de tentar encontrar o rumo certo das coisas, e aí! assim como quem não quer a coisa... vou ficando, vou ficando... Até quando?...


Nota: Texto escrito em Dezembro/1996

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A moral tem histórias?


Se há histórias que têm moral, a moral também tem histórias e, se não acreditas, então vou contar-te outra história, um sujeito de idade já um pouco avançada, sentindo o aproximar do fim dos seus dias, chamou os três filhos, já todos adultos, e disse-lhes com a voz trémula de emoção, meus filhos dei-vos tudo quanto pude para viverdes bem e felizes, agora que estou quase a partir deste mundo..., nesta altura é interrompido pelo filho mais velho que lhe diz, ó pai você ainda vai durar muitos anos junto de todos nós, continua então o pai, eu sei o que digo mas, como não sei o que vou encontrar para lá deste mundo, quero pedir-vos para na altura da minha morte colocardes no caixão duzentos contos cada um, falou então o filho mais novo, ó pai não se preocupe, você vai viver ainda muitos e muitos anos, mas quando morrer nós cumpriremos o seu desejo, passados dois meses morreu o velho desta história, na altura da vigília o filho mais velho lembrou aos irmãos a vontade expressa pelo pai e puxando da carteira contou duzentos contos em notas e colocou-as dentro do caixão, o irmão do meio também tirou notas da carteira, contou até duzentos contos e pô-las também no caixão, o filho mais novo hesitou alguns instantes, depois pegou na carteira, passou um cheque de seiscentos contos, colocou-o no caixão e retirou os quatrocentos contos em notas, guardando-as no bolso, os outros irmãos reagiram ao mesmo tempo, o que é que fizeste? resposta do mais novo, o pai para onde vai pode descontar o cheque, não pode?... Então agora pergunto-te eu, a moral tem ou não tem as suas histórias?


Nota: Texto escrito em Dezembro/1996

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Estou cá c’uma pedrada!...


Pedras e pedradas, conta-se à boca cheia a história verídica, ou não, daquele fulano que ia pela rua fora, noite feita, às tantas vê um tipo com uma pedra na mão, a bater na própria cabeça... toc... toc..., então perguntou-lhe, ó pá que estás a fazer? o outro respondeu-lhe com um sotaque de quem é tripeiro, nascido e criado na Ribeira, ó meu num me digas nada, estou cá c’uma pedrada!... o nosso fulano lá foi rua abaixo e passados alguns metros topou um outro gajo com uma pedra em cada mão e também a bater na cabeça... toc, toc...toc, toc..., um pouco a medo o nosso personagem fez a pergunta, ó pá o que é isso? resposta do outro, ainda mais tripeiro do que o primeiro, ó meu num bês que tou c’uma oberdose? o nosso herói continuou rua fora e, mais adiante, viu um sujeito sentado no vão de um portal e um monte de pedras ao lado, um bocado receoso o nosso homem interrogou, ó pá o que estás aí a fazer? o outro olhou para o lado de cima da rua, olhou para baixo e depois disse em surdina, ó meu entom num tás a ber que tou a traficar...


Nota: Texto escrito em Dezembro/1996

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Sacanas…?


Há manhãs que são mais difíceis do que outras, umas vezes levanto-me às sete, outras vezes uma ou duas horas mais tarde, depende do dia da semana em que me levanto ou da hora a que me deito na noite anterior, umas manhãs acordo com uma grande pedrada de má disposição, até parece que sou adepto do Sporting ou do Benfica, outras vezes saio da cama bem disposto e cantaroleiro, com genica para aguentar o dia-a-dia ou para enfrentar os sacanas que a vida nos apresenta, sim é verdade, ah! não acreditas, não é? eu sei que quando somos mais jovens temos a tendência para azular de claro as atitudes dos outros, somos mais ingénuos e de boa fé, mas os anos vão passando, com o tempo o azul vai escurecendo, os outros já não nos parecem tão boas pessoas e a nossa ingenuidade foi-se embora com o vento da vida, e é então aí que as imagens dos sacanas nos aparecem, feias e imprecisas como retratos tirados à la minuta, verdadeiras como as rugas que nos foram aparecendo com os entas, mas é preciso estar atento porque muitas vezes as imagens dos ditos estão fora da nossa visão normal, são como uma película impregnada, a imagem está lá mas apenas se vê depois da revelação e, em muitos casos, a revelação de um sacana apanha-nos desprevenido, não estamos a contar com uma coisa daquelas, então estás a ver aquele tipo, tão simpático, tão prestável, afinal é um grande filho da puta, o gajo anda a fazer-nos a cama nas nossas costas, então não é que anda para aí a dizer que a culpa foi nossa, que o buraco do ozono foi provocado pelos nossos gases, isto não são coisas que se digam de nós, não é? são estas surpresas estúpidas que nos dão cabo da vida, quando um tipo se levanta de manhã, bem disposto ou nem por isso, rapa a barba do dia anterior, toma um duche quente ou com a água assim-assim, engole apressado o leite do pequeno almoço, não sabe, não pode adivinhar que daqui a pouco vai estar perante um fulano que até parece porreiro e que afinal é mais um bom sacana, isto se é que há sacanas bons e sacanas maus, cá para mim são todos uns sacanas, amarradinhos com uma corda bem grossa a uma pedra enorme, largados do alto nem sei bem de onde, deveriam ficar cá com uma pedrada... E era muito bem feito!...

Nota: Texto escrito em Dezembro.1996

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Brrr!... que frio!


Em Roma sê romano, sempre ouvi dizer... está bem, vou fazer isso tal qual pensei agora mesmo, então estava eu a chegar à Finlândia, isto foi com certeza influência da leitura de hoje de manhã na casa de banho, enquanto esperava a descarga dos intestinos, peguei num magazine do Notícias e pronto, estava lá um artigo do género faça as malas, viaje agora e pague depois, a viagem proposta era para o país dos mil lagos, então estava eu a sair do aeroporto de Helsínquia e logo me arrependi... brrr!... que frio! estupidez a minha, não estou preparado para tanto frio, chego aqui apenas com um pulôver em cima da camisa, então não é para estranhar o arrepio de frio, dentro de casa não preciso de grandes agasalhos, quem me manda então viajar para os lados da Lapónia sem antes me vestir a preceito, isto deve ser da idade, ou melhor, da p.d.i. (quem quiser que interprete os pontos depois do pê, do dê e da outra letra)...

Nota: Texto escrito em Dezembro.1996

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Um pouco de cotão…


Por falar em bolsos, meti agora mesmo a mão ao bolso, de que lado? pensaste logo tu, mas não te digo porque ficavas a saber tanto como eu, como estava a dizer, meti a mão ao bolso... e que encontrei? nada, apenas nada, ou melhor, um pouco de cotão, não tenho a certeza se é assim que se escreve, portanto o melhor é mesmo pegar no dicionário e tirar esta dúvida, isto é, espero que sim, às tantas acontece-me como noutras ocasiões, procuro uma palavra no dito da Lello e nicles! a palavra não consta, tantas e tantas páginas e a palavra que imaginei, escrita em bold e com o significado à frente, não aparece lá, isto quer dizer que há dicionários e dicionários, uns são bons, outros nem por isso, paciência, na próxima edição do ano que vem talvez o autor se lembre da minha imaginada palavra e lhe dê um lugarzinho no meio de tantas e tantas páginas, junto de tantas e tantas palavras, umas simples como a minha, outras de pronúncias e significados mais complicados, ah! mas desta vez tive sorte, folheei algumas páginas, umas para a frente outras para trás, no cimo de uma encontrei a expressão cot, com o indicador direito espetado corri as palavras por ali abaixo e, enfim, lá estava ela, impressa em geneva carregado, de facto cotão existe mesmo e escreve-se tal e qual a pensei, ah! ah! e o que quer dizer? vejamos, lanugem de alguns frutos ou pêlo que se separa do pano pelo uso ou pelo atrito ou ainda cisco, partículas que se juntam ao fato, ao chão, às paredes, aos móveis em que não há limpeza, imaginava isto tudo? claro que não, pensei em cotão com uma ou duas palavras para o definir, tipo algodão sujo, e não uma catadupa de palavras, mas que afinal tiveram o condão de alargar os meus conhecimentos, sim é verdade porque, antes, para mim cotão existia apenas nos bolsos das calças ou do casaco e no umbigo, mas agora já sei que o posso encontrar noutros sítios. E por falar mais uma vez em bolsos, agora já posso dizer, não sei se é importante ou não, mas há pouco foi mesmo no bolso do lado direito que meti a mão, ah! está bem mas falta dizer alguma coisa mais, o quê? foi o bolso de quê? das calças ou do casaco? ok esqueci-me disso, foi o bolso das cuecas...

Notas:
1) Texto escrito em Dezembro.1996
2) Hoje, antes de pulicar este ‘post’, andei na pesquisa acerca de ‘cotão’. E, além de outras coisas, descobri que existe a Rádio Cotão. Experimentai, ok? Parece que faz cócegas no umbigo…, às tantas é porque “Cotão. É bão :)”…

sábado, 16 de junho de 2007

Até nos limpam os bolsos...


Assim como quem não quer a coisa, vamos indo, devagarinho, porque de pressas está o nosso mundo cheio, quando estou fora do meu canto penso logo na altura de cair do cimo dos meus andaimes, dos meus pensamentos, mas não posso aldrabar a minha situação, isto é assim mesmo e não há volta a dar. Dando voltas e mais voltas ao miolo da questão, fico na mesma, o miolo está mesmo no meio disto tudo, logo agora que pretendia dissertar acerca dos lados escalenos do triângulo que os tem e... pronto, nada está bicudo. Isto é mesmo uma grande chatice e digo-te mais, chatice por chatice, prefiro uma chatice mais fria, do tipo gelado pralinê com nozes e caramelo, ah! ah! ah! querias, guloso dum raio, pensas que ando aqui para aturar as tuas gulodices, aturar por aturar, aturo as minhas, com tua licença.

Mas qual é o raio do problema? Estou mesmo a ver que não há problema, não é? O que há são as chatices do dia-a-dia ou de todas as noites, ora deixa lá isso! isso cura-se com um cházinho quente de limão e mel doce, doce sim porque para amargo já chega o chocolate que se compra para fazer a mousse, digo bem, que se compra porque às vezes, na falta do outro com nougat e passas, vai mesmo o dito amargo, ai ninas!, já lá dizia o outro, em tempo de guerra não se limpam as armas, e nos dias de hoje as limpezas já não são o que eram, agora queres uma limpeza geral das três assoalhadas onde moras, incluindo sanita e bidé da casa de banho? pegas nas páginas amarelas, procuras a letra éle e...pronto! aparecem lá mais de meia dúzia de empresas especializadas em limpezas domésticas, industriais e outras que tais, o que é preciso é money para pagar, ah pois! e toma nota que os gajos não são nada baratos, em tempos conheci um inglês que era dono de uma empresa dessas, o tipo tinha vários empregados, andava num Jaguar verde escuro e passava as férias em Málaga, dizia ele que tinha lá uma casa, estás a topar? as limpezas dão muito, os tipos até nos limpam os bolsos...


Nota: Texto escrito em Dezembro.1996

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Assim como quem não quer a coisa…


Sob o título acima, fui escrevendo diversos textos durante alguns anos, mais concretamente desde o inverno de 1996 até ao outono de 2002. E fui, ao longo dos tempos, deixando-os arquivados numa ‘pasta’ de “Os meus documentos” do Windows98, a modos como se fossem inquilinos vitalícios do disco duro do velhinho computador de secretária.

Lembrei-me há dias de tratar-lhes da mudança para uma nova morada. Já resolvi esta questão e, então, residem agora numa assoalhada arejada e soalheira do ‘hard disc’ do portátil, onde lhes é possível usufruir de melhores condições patrocinadas pelo Windows XP. Mas, como não é possível prever o que lhes pode acontecer no dia de amanhã, obriguei-os a também manterem a casa antiga, deixando lá uma réplica dos seus tarecos.

Lembrei-me também de os apresentar neste blogue. São textos que foram escritos durante ataques de parvoíce, quer resultantes de momentos de alegria ou de euforia, quer em alturas de desânimo ou de revolta com os acontecimentos do dia-a-dia. E, por isso, na sua maioria traduzem-se em ´parvoeiras’, por vezes com algum sentido, outras não.

Aqueles textos aparecerão aqui no blogue, de vez em quando, sem compromissos de periodicidade, e com títulos que lhes vou atribuir na altura. Mas sempre subordinados à etiqueta “Assim como quem…”.

E o primeiro sairá da ‘casca’ amanhã.